Rio de Janeiro, 29 de Março de 2026

Mais acesso à internet e ao telefone agrada aos brasileiros

Sexta, 15 de Setembro de 2006 às 10:18, por: CdB

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2005, divulgada nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou que o microcomputador foi eletro-eletrônico com a maior procura em um ano pela população. De 2004 para 2005, o número de residências que tinham o aparelho aumentou 2,5%. Com isso, 18,6% das residências no país já têm microcomputador, dos quais 13,7% ligados à internet.

De acordo com a pesquisa, em 2005,21% da população com 10 anos de idade ou mais haviam acessado a rede mundial de comunicação Essa foi a primeira vez que a Pnad investigou quantas pessoas têm acesso à internet em casa ou em qualquer outro lugar.

Os pesquisadores constataram que, quanto maior o grau de instrução maior era o número de internautas. O percentual chegou a 76,2% para as pessoas com 15 anos ou mais de estudo e ficou em 2,5% para os que tinham menos de quatro anos de estudo.

A diferença também foi grande entre as faixas de rendimento. Para os que ganhavam acima de cinco salários mínimos o percentual foi de 69,5%, enquanto na faixa de menos de um salário mínimo per capita a proporção foi de 3,3%.

Na comunidade carente do morro dos Macacos, na zona norte do Rio de Janeiro, uma Organização Não-governamental montou um centro de informática e cidadania para promover a inclusão digital. O tai.com (todos acessando a internet na comunidade) atende crianças, adolescentes e adultos. Para usar a internet por uma hora é preciso pagar R$ 1,00.

A presidente do centro, Ana Marcondes Faria, diz que a cobrança é simbólica, mas que o dinheiro arrecadado já ajudou na compra de ventiladores e de um aparelho de ar condicionado.

- Procuramos estimular nos jovens o uso do computador e da internet para que eles fiquem no mesmo nível que os meninos e meninas do asfalto, principalmente para disputar um emprego ou uma vaga na universidade - destacou.

Mais celulares

Quase 60 milhões de pessoas, ou um terço da população, tinham telefone celular para seu próprio uso em 2005. No ano passado, o celular também superou o número de linhas fixas de telefone das residências do país. De acordo com a Pnad 2005, o percentual de moradias com celular passou de 47,8% em 2004 para 59,3% em 2005, enquanto o número de linhas fixas caiu de 48,9% para 48,1%. A pesquisa mostra que a posse do celular foi maior entre as pessoas com mais renda e escolaridade, concentrada na região Sudeste. Os homens foram os maiores usuários do aparelho. O estudo também revelou que de 2001 para 2005 a proporção de residências que contavam somente com celular subiu de 7,8% para 23,6%.

A economista do IBGE, Márcia Quintslr, atribuiu a preferência pelo telefone celular ao alto custo da telefonia fixa. "Com a facilidade da aquisição do plano pré-pago, ou seja, o telefone de cartão, muita gente consegue controlar os gastos melhor do que com uma linha fixa em casa", explicou.

A doméstica Ilza da Conceição, moradora do subúrbio de Madureira, no Rio de Janeiro, disse que já teve uma linha fixa em casa, mas que o dinheiro que ganha por mês não dá para pagar a conta.

Ela diz que agora só tem celular de cartão e que é muito mais barato do que pagar uma conta de telefone no final do mês.

- Com um cartão de R$ 20,00 por mês eu falo com minha patroa, com minhas amigas e ainda agendo faxina pelo telefone celular - festejou.

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