Mais um atentado hoje no Iraque. Mais 35 mortos. Por dia, há pelo menos 10 mortos no Iraque, a maior parte é de civis.
O motivo principal é a permanência das tropas de coalizão no país. Ontem, em um pesquisa feita entre os iraquianos, o resultado foi que a maioria da população acha que as forças lideradas pelos Estados Unidos e Grã-Bretanha é de ocupação e não de libertação, como vem sido pregado por George W. Bush.
Falando nisso, pelas contas oficiais, desde que o Iraque foi invadido, já morreram mais pessoas do que durante toda a ditadura de Saddam Hussein. Só no período dos grandes combates, as especulações chegavam a 10 mil civis mortos, mesmo número de pessoas que se acredita terem sido vítimas fatais do ditador.
Somado-se a isso, vem a história das torturas. Ao todo, eram 6 mil presos em Abu Garib, e quantos deles foram torturados ninguém sabe. E isso está batendo no topo da alta cúpula de segurança norte-americana. Documentos indicam que o comandante das tropas dos EUA, Ricardo Chanchez, sabia e ainda autorizou os abusos cometidos. Ele será trocado assim que o governo for passado em 30 de junho para o novo governo iraquiano.
Uma iraquiana de 46 anos dizia, ontem, na TV Aljazira, que a sua vida piorou. Segundo ela, quando faltava água em seu bairro, ela tinha para quem se queixar. Hoje está sem água há quatro meses e não tem onde ir reclamar.
A coalizão pretende passar para o novo governo o poder do Iraque. Mas isso soa quase como uma piada. Primeiro, porque no Iraque, de cada 600 novos policiais formados, apenas 230 continuam até o terceiro mês. Uma grande maioria desiste e a outra parte é morta em combates ou por outros iraquianos que enxergam a entrada na Polícia como colaboração com os norte-americanos. Ou seja, não há condição alguma de manter a ordem sem o apoio do exército estrangeiro.
Depois, falta apoio ao novo governo. Apesar de ser xiita, que é 60% da população no Iraque, o novo presidente não tem a religião e o xiismo em suas bases. Se tivesse, não teria sido escolhido. Ele não tem apoio dos xiitas, dos sunitas e muito menos dos curdos.
É esperar para ver o barril de pólvora explodir ainda mais.