Não há motivos suficientes, segundo 63% dos brasileiros ouvidos na pesquisa Datafolha, para que o Congresso Nacional abra um processo de impeachment contra o presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva. Mas, para cerca 29% dos eleitores, o Congresso deveria começar a trabalhar para o afastamento do presidente da República. Ainda segundo a pesquisa, 73% dos brasileiros não acreditam que Lula será afastado do cargo por causa das denúncias de corrupção no governo e no PT. Apenas 17% dos entrevistados cogitam esta possibilidade.
A pesquisa aconteceu no último dia 10, antes do depoimento do publicitário Duda Mendonça à CPMI dos Correios. Ele foi o chefe da campanha de Lula em 2002 e pela publicidade institucional da Presidência da República. Duda confessou ter recebido dinheiro de caixa dois e que alguns repasses da SMPB, empresa do publicitário mineiro Marcos Valério de Souza, vinham de contas abertas no exterior, o que elevou imediatamente a temperatura no Congresso.
Para a maioria absoluta da população, 64%, o presidente deve continuar no cargo enquanto as denúncias de corrupção contra seu governo estiverem sendo investigadas. Para 15%, no entanto, Lula deveria renunciar ao mandato e confessar que sabia dos crimes cometidos por Delúbio Soares e Marcos Valério. O mesmo percentual acredita que ele deveria se afastar temporariamente do cargo enquanto todas as denúncias contra seu governo são apuradas.
A mesma maioria, 83%, acredita na existência de corrupção no governo do petista e essa taxa vem crescendo a cada pesquisa desde o final de maio - quando explodiram as denúncias de um suposto "mensalão" pago a parlamentares da base aliada. Há 20 dias este percentual era de 78%. Em maio de 2002, último ano da gestão de FHC, 69% dos entrevistados afirmavam existir corrupção no governo do tucano. A diferença entre Lula e FHC nesta questão é atualmente de 14 pontos percentuais. No caso do petista, a percepção de que há corrupção em seu governo aumentou 18 pontos percentuais do início de junho até agora, segundo a pesquisa Datafolha.
Rio de Janeiro, 13 de Maio de 2026
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