Rio de Janeiro, 12 de Abril de 2026

Maioria dos jovens compram produtos piratas

O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN), Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, divulgou nesta semana uma pesquisa inédita sobre o hábito de consumo de produtos piratas pelos jovens. Nada menos que 93,8% deles compram os produtos falsificados, e o fazem conscientes de que se trata de mercadoria ilegal. (Leia Mais)

Sexta, 26 de Maio de 2006 às 09:51, por: CdB

O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN), Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, divulgou essa semana pesquisa inédita sobre o hábito de consumo de produtos piratas pelos jovens, durante Feira de Combate à Pirataria, realizada na sede da FIRJAN, em comemoração a Semana da Indústria. Foram 433 entrevistas com alunos do SENAI em todo o Estado do Rio de Janeiro. Nada menos que 93,8% deles compram os produtos falsificados, e o fazem conscientes de que se trata de mercadoria ilegal.

A conclusão da pesquisa é de que o jovem tem consciência apenas parcial das conseqüências e faz pouca relação entre o consumo ilegal e o crime organizado, a restrição do mercado de trabalho, a queda de arrecadação de impostos e da qualidade dos serviços públicos. O levantamento também mostrou que há espaço para uma campanha educativa, que a FIRJAN inicia nas escolas do SESI/SENAI no dia 25 de maio, com vídeos e cartilhas.

Os produtos pirateados mais comprados pelos jovens são CDs (82%) e DVDs (60%), seguidos por canetas, isqueiros e aparelhos de barbear (38%), relógios, produtos eletrônicos e programas de computador (31%). O principal motivo alegado para a compra de produtos piratas, para 85,5%, foi o preço alto do original. Já 45,9% disseram que as novidades em CD e DVD chegam mais rápido pelas mãos dos piratas.

A grande penetração dos CDs e DVDs piratas faz com que o principal temor do consumidor em relação às conseqüências desse tipo de compra seja ter um aparelho eletrônico danificado (71,60%). A preocupação com a pirataria de remédios também é grande, já que 60,3% disseram ter medo de problemas de saúde que viriam desses produtos. Esse descompasso entre o hábito de compras e a conscientização sobre os problemas é que deve ser atingido nas campanhas institucionais, na visão do presidente da FIRJAN.

- Os jovens têm consciência pessoal com relação aos piratas, mas não reconhecem que a atividade ilegal prejudica os empregos, a arrecadação de impostos e a própria prestação de serviços públicos que vem daí - disse Vieira.

Quando a pergunta sobre o enfraquecimento das indústrias foi apresentada, 15,5% não concordaram, 46% concordaram em parte e 38,60%, completamente. Quando a questão foi sobre o prejuízo da inserção no mercado de trabalho, 22,5% não concordaram, 50% concordaram em parte e 27,5% completamente. O quadro é ainda pior quando à percepção sobre a diminuição dos investimentos em saúde e educação: 41,8% não concordaram, 35,8% somente parcialmente e 22,4% não concordaram.

Outra preocupação é a composição social da amostra. A maioria dos jovens entrevistados têm o Ensino Médio completo (31,4%) ou incompleto (55,4%), numa proporção bem maior que ao resto da população brasileira. Da mesma forma, 23% pertencem à classe C, 54% à classe B e 22% à classe A, o que demonstra que muitos não precisam comprar os produtos piratas por causa de baixo poder aquisitivo.

Como forma de conscientização, o Sistema FIRJAN inicia uma campanha no dia 25 de maio (quinta-feira) com a distribuição de uma cartilha nas escolas do SESI/SENAI, a exibição de um vídeo e anúncios na mídia. Segundo a pesquisa, 17,6% dos jovens se mostraram receptivos a uma campanha informativa, e 31,6% disseram não saber. Mas 62,6% responderam que alertariam famílias e amigos caso recebessem essas informações.

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