O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, recebeu nesta terça-feira mais um incentivo para seus planos. Uma nova pesquisa de opinião mostrou sólido apoio ao seu plano de retirada de Gaza, paralisado por uma rebelião de gabinete.
O ministro da Justiça Yosef Lapid, espera evitar o colapso da coalizão de governo de Israel fechando um acordo entre Sharon e ministros linha dura que criticam a estratégia do primeiro-ministro. Ele propôs uma votação no gabinete sobre a retirada de apenas três assentamentos numa primeira fase.
Sharon enfrenta oposição do ministro das Finanças, Benjamin Netanyahu, que lidera a resistência no partido de direita Likud à proposta de retirada de todos os assentamentos de Gaza e de quatro dos 120 localizados na Cisjordânia.
Membros do Likud rejeitaram com ampla maioria o plano de Sharon, que tem apoio dos Estados Unidos, em referendo no dia 2 de maio. Mas a pesquisa divulgada no jornal Maariv mostrou que 54% dos israelenses que costumam votar no Likud apóiam o plano de Sharon, e 31% apóiam Netanyahu. Entre o público geral, o plano de Sharon teve 55% de apoio, contra 32% de Netanyahu, disposto a retirar apenas alguns assentamentos.
Sharon, que adiou um encontro do gabinete no domingo passado para evitar uma derrota quase certa, prometeu manter o plano a todo custo, mesmo se tiver que destituir ministros contrários a ele. Sua fraqueza política levantou rumores sobre eleições antecipadas.
O vice-premier, Ehud Olmert, aliado de Sharon, manifestou esperança de que o gabinete chegue a uma decisão até o próximo domingo. Na última segunda-feira, Sharon obteve apoio do Egito ao seu plano durante telefonema ao presidente Hosni Mubarak.
Críticos de direita dizem que a retirada incondicional dos assentamentos em terras tomadas na guerra de 1967 seria uma "recompensa ao terrorismo palestino". Simpatizantes dizem que o preço é muito alto para proteger 7.500 colonos expostos a ataques entre 1,3 milhão de palestinos.