A maioria dos holandeses rejeitou a Constituição da União Européia (UE) em um referendo na quarta-feira, aprofundando uma crise no bloco de 25 países-membros e colocando em risco o futuro do tratado, depois que a França também rejeitou o documento.
O resultado foi de 61,6 por cento dos votos contra o tratado, com apenas 38,4 por cento a favor, segundo informou a agência de notícias holandesa ANP. O resultado oficial só sairá no dia 6 de junho.
O comparecimento foi de 62,8 por cento, bem acima dos 39 por cento que votaram na eleição para o Parlamento europeu, no ano passado.
Pesquisas de boca-de-urna do Interview/NSS previam que o "não" receberia 63 por cento dos votos, contra 37 por cento para o "sim".
"O governo holandês acha que o processo de ratificação deve ser capaz de seguir adiante em outros países", disse Balkenende à televisão holandesa após o resultado.
A votação expressiva no "não" é o sinal mais recente da insatisfação dos holandeses com seus políticos.
A rejeição da Constituição pela Holanda, que como a França é um dos seis países fundadores do bloco criado nos anos 1950, pode significar um golpe fatal para o tratado que mudaria o sistema de tomada de decisão da UE depois de sua expansão.
Em 2004, a entidade recebeu mais dez países, passando a ter 25 integrantes.
O resultado do plebiscito holandês também coloca em dúvida os esforços da UE para ter uma política externa mais vigorosa e os planos sobre uma nova expansão, incorporando eventualmente países dos Balcãs, a Turquia e a Ucrânia.
A votação ainda levanta questões sobre a disposição do bloco em realizar reformas econômicas em um momento de crescente competição global.
Na quarta-feira, o euro caiu para o menor patamar dos últimos sete meses frente ao dólar.
Desde março, mês em que as pesquisas de opinião passaram a mostrar uma rejeição sólida ao tratado, a moeda única perdeu quase 10 por cento de seu valor.
A Constituição precisa ser aprovada por todos os países-membros antes de entrar em vigor.
A maior parte dos líderes da UE disse que o processo de ratificação deve continuar conforme o previsto. Mas, segundo diplomatas, essa é uma postura apenas provisória. Uma decisão final sobre a questão deve ser tomada na cúpula do bloco marcada para acontecer nos dias 16 e 17 de junho.
Na quinta-feira, o Parlamento da Letônia deve aprovar o tratado com uma maioria folgada de votos, transformando-se assim no décimo país-membro a fazê-lo.
O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, de outro lado, deu indícios de que esperaria pelo resultado do plebiscito na Holanda antes de decidir sobre o que fazer a respeito da Constituição em seu país, considerado "euro-cético".
Se os líderes do bloco suspenderem o processo de ratificação, a UE, segundo analistas, pode entrar em um longo período de introspecção.