Pesquisa realizada pelo instituto de pesquisa Observatório Universitário comparando microdados do Censo IBGE de 2000 mostrou que a profissão de 3,5 milhões de trabalhadores é diferente daquela para a qual se prepararam. O número representa 53% do total analisado, e varia conforma a carreira. Em enfermagem, o índice é de 84%. Em geografia, é de só 1%.
Para os avaliadores do instituto, a situação reflete a elaboração brasileira de seu modelo de ensino, definido como "o pior dos mundos".
- O Brasil oferece uma educação secundária de péssima qualidade e uma profissional muito precoce, o que faz com que nossos filhos tenham sua vida de estudantes secundários pautada por vestibulares - afirma o pesquisador Edson Nunes.
Outro motivo que engessa a educação, segundo Nunes, é a pressão das corporações profissionais para limitar a atuação no mercado, regulamentar as profissões e interferir na definição dos conteúdos ensinados. Para ele, o objetivo maior do ensino superior é preparar pessoas competentes e com formação sólida para dominar linguagens que as permitam aprender qualquer profissão.