Pesquisadores do Governo dos Estados Unidos descobriram uma estreita relação entre o consumo de alimentos ricos em ácido fólico e a redução dos casos de mortes provocadas por apoplexias e doenças cardíacas. A revelação foi feita hoje por epidemiólogos dos Centros para o Controle e Prevenção de Doenças (CDC) durante a Conferência Anual sobre Prevenção e Epidemiologia das Doenças Cardiovasculares em São Francisco (Califórnia).
"Encontramos provas de que cai para um terço a mortalidade vinculada às paraplegias quando enriquecemos a farinha com ácido fólico", disse Lorenzo Botto, epidemiólogo do Centro Nacional sobre Defeitos Congênitos e Incapacidades de Desenvolvimento nos CDC.
Os CDC são um organismo do Governo federal que agrupa todos os centros de estudos de doenças. Seu centro de operações encontra-se em Atlanta (Geórgia). O grupo de pesquisadores contou que desde de que se iniciou nos EUA, em 1996, o enriquecimento dos alimentos com ácido fólico, possivelmente foram evitadas 31 mil mortes vinculadas às paraplegias e 17 mil às doenças do coração.
Até agora se sabia que o ácido fólico, uma vitamina do complexo B, pode ajudar a prevenir defeitos congênitos no cérebro e na medula espinhal, além da produção de glóbulos vermelhos. Ele é encontrado nas frutas, nos vegetais e nos cereais, e deve ser receitado especialmente às mulheres grávidas.
Em 1996, os médicos americanos recomendaram o ácido fólico depois de determinar que, além de reduzir os defeitos nos recém-nascidos, reduz a concentração de homocistina e, como resultado, leva a uma redução das doenças cardiovasculares e dos ataques apopléticos. As conclusões do estudo foram extraídas de uma análise da taxa de mortalidade relacionada à problemas cardíacos e apopléticos entre pessoas com mais de 40 anos entre 1990 e 1991.
O estudo mostrou que, em geral, a mortalidade caiu entre 10% e 15% depois do início do enriquecimento dos alimentos com ácido fólico. Antes de 1997, a mortalidade caía 1% ao ano, mas depois desse ano a redução anual foi de 4,5%, disse o estudo.
"O que é mais importante, a queda na mortalidade vinculada às apoplexias mostrou um patrão sustentado que incluiu todos os gêneros e grupos raciais, com melhorias tanto entre homens e mulheres, como entre brancos e negros", disse.