O BNP Paribas revelou nesta quinta-feira uma exposição de 5 bilhões de euros (US$ 6,17 bilhões) à Grécia, a maior entre os principais bancos franceses. A instituição divulgou ainda resultados de primeiro trimestre acima do esperado, o que impulsionava suas ações. Falando à emissora de rádio BFM, o presidente-executivo do BNP, Baudouin Prot, tentou acalmar temores de que a crise de dívida da Grécia possa se espalhar.
– Todos os cenários de contágio da crise grega para Espanha e Portugal são infundados – afirmou o executivo.
Mas ele afirmou, entretanto, que o BNP decidiu não revelar sua exposição a outros países europeus além da Grécia.
– Decidimos que não daremos qualquer número sobre países da zona do euro além da Grécia – disse ele à Rádio Classique.
O BNP informou sua exposição de 5 bilhões de euros à Grécia um dia depois que o rival menor Société Générale revelou exposição de 3 bilhões de euros ao país. Apesar da exposição do BNP ser maior que de outros pares franceses da instituição, diferentemente deles o BNP não têm uma importante subsidiária bancária na Grécia e analistas consideram que o grupo é relativamente menos vulnerável à economia grega.
O BNP divulgou ainda lucro líquido de primeiro trimestre de 2,3 bilhões de euros, um aumento de 47% na comparação anual e acima da média de previsões de 11 analistas consultados pela Reuters, de 1,6 bilhão de euros. A instituição superou as expectativas com receitas maiores e menores provisões, afirmou o analista Kimon Kalamboussis, do Citigroup, em relatório.
Aversão ao risco
As bolsas de valores da Ásia tiveram fortes perdas nesta quinta-feira, mais uma vez abatidas pela crise de dívida da Grécia, que amplicou as preocupações de contágio para o restante da zona do euro e a aversão dos investidores ao risco. O mercado de Tóquio teve a maior queda desde março de 2009, de 3,27%, a 10.695 pontos, na volta de um feriado de três dias.
O índice MSCI de ações da região Ásia-Pacífico com exceção do Japão recuava 2,23%, para 401 pontos nesta manhã, acumulando no ano perda de 2%.
– Não há pausa nas preocupações de que a crise de déficit na zona do euro continuará piorando, e em resultado disso, os mercados de ações ao redor do mundo continuam sob pressão – disse Ben Potter, analista do IG Markets.
Analistas disseram que o mercado aguardava a reunião do Banco Central Europeu (BCE), ao longo do dia, para ver o que a autoridade irá dizer para garantir aos mercados que pode conter a crise grega.
– (O presidente do BCE, Jean-Claude) Trichet deverá mostrar apoio ao acordo de dívida da Grécia e amenizar os riscos de contágio – disse um operador de bônus.
A bolsa de Hong Kong perdeu 0,96%, para 20.133 pontos. Em Xangai, houve queda de 4,11%, para 2.739 pontos, a pior performance desde meados de abril. Essas praças foram abatidas também por preocupações sobre a possibilidade de mais medidas do governo chinês para conter a especulação no setor imobiliário, desaquecendo-o.
O índice de Sydney caiu 2,16%, para 4.573 pontos.
Seul perdeu 1,98%, a 1.684 pontos. Cingapura encerrou em queda de 0,72%, a 2.839 pontos, e Taiwan recuou 1,53%, para 7.579 pontos.