Pelo menos 68 pessoas foram mortas na última quinta-feira em um duplo atentado a bomba na área comercial de Karada, no centro de Bagdá, capital do Iraque, segundo autoridades de segurança locais. O número de vítimas, atualizado na manhã desta sexta-feira, ainda tende a aumentar. A ação, atribuída à rede terrorista Al Qaeda, é a mais violenta na capital nos últimos nove meses.
As duas explosões deixaram outras 130 pessoas feridas, de acordo com as autoridades, o pior em Bagdá desde junho de 2007, quando 87 pessoas morreram na explosão de um carro-bomba em frente a uma mesquita.
A região é uma área de maioria xiita. Uma testemunha no local dos ataques contou ter visto partes de corpos e uma mulher chorando enquanto as equipes de resgate procuravam seus filhos entre os destroços das bombas.
A segunda bomba teve como alvo a multidão que se aglomerou em torno do local do primeiro ataque, o que teria contribuído para o grande número de vítimas. Sykes afirma que não havia alvos militares evidentes na região e que muitos moradores da área estavam fazendo compras para o fim de semana no momento da primeira explosão.
Adolescentes
De acordo com a polícia, a primeira bomba explodiu na margem de uma rua de Karada e foi seguida, poucos minutos depois, por um atentado suicida. As autoridades afirmam que muitas vítimas eram adolescentes e jovens. Hassan Abdullah, de 25 anos, disse à agência Associated Press que estava parado perto da loja de roupas que possui em Karada quando a primeira bomba explodiu a cerca de 150 metros de distância. Abdullah afirmou que estava indo em direção ao local do primeiro ataque quando a segunda bomba explodiu.
- Eu vi uma perna e uma mão caindo perto de mim quando estava andando. O local todo estava um caos - disse Abdullah.
Pessoas feridas choravam por ajuda, e as pessoas começaram a fugir. Ataques como o desta quinta-feira costumavam ocorrer quase diariamente na capital iraquiana, mas se tornaram menos comuns nos últimos meses. No entanto, números do governo do Iraque divulgados nesta semana apontam que o total de civis iraquianos mortos em fevereiro aumentou em mais de um terço em relação a janeiro.
Os novos dados revertem a tendência de queda no número de mortos registrada nos seis meses anteriores e atribuída ao aumento das tropas americanas no país, à formação de milícias contra a Al-Qaeda por grupos árabes sunitas e à suspensão das atividades da milícia do Exército Mehdi, leal ao clérigo radical xiita Moqtada al-Sadr.