Prefeito do Rio, Cesar Maia apontou, em entrevista ao diário paulista Folha de S. Paulo, que um dos maiores obstáculos à improvável chegada de Geraldo Alckmin a um segundo turno das eleições, contra o petista Luiz Inácio Lula da Silva, é a desorganização do PSDB. Segundo o dirigente: "o PFL foi muito mais o partido do Alckmin que o PSDB".
Para Cesar Maia, a derrota do candidato tucano marcará o fim da aliança entre o PSDB e PFL.
- Alckmin não ganha a eleição, o PFL vai ter candidato à Presidência, inexoravelmente - disse.
Maia acredita que a campanha deveria ser "polarizada" e exigiria que o candidato de oposição "desse maior nitidez à polarização. Numa eleição com reeleição, onde a avaliação do governo é normal, o eleitor precisa ter razões para que o governo não continue".
- O problema é o tempo. Na TV, tem de dar o tom na entrada: se muda ao longo da campanha, passa ao eleitor que é apelação. Nestas eleições há um quadro novo. Uma região garantiria a vitória do Lula em primeiro turno: Norte e Nordeste. Um processo delicado. A base de legitimação do Lula vai ser muito baixa. Como se governa eleito por uma concentração espetacular de votos numa só região? Do ponto de vista da estabilidade, o segundo turno é agregador. São dez minutos de TV para cada um dizer o que vai fazer, porque por enquanto eles só dizem o que fizeram. Lula fez coisas do arco da velha, Alckmin fez coisas maravilhosas em São Paulo. Do ponto de vista de jogar para frente, são generalidades - disse ele à Folha.
Segundo Cesar Maia, embora haja documentos relativos a um programa de campanha dos tucanos, "o eleitor não percebe essas propostas".
- Lula diz que fez um monte de coisas, o eleitor fica cético. Ele mente demais na TV, mas alguma coisa ele fez. O Alckmin fez muito em São Paulo. E para frente? É um homem de bem, sério. Está bem, é uma preliminar. Agora, o que ganho com isso? - questionou
Ainda na entrevista, Maia admite que poderia ser candidato à sucessão, daqui a quatro anos.
- Se estivesse na Inglaterra, diria que sou (candidato). No Brasil não há como fazer essa previsão antes. Evidentemente participo do jogo de 2006 olhando para MG, SP, sou do Sudeste também, e olhando para o quadro nacional, posicionando o PFL através de mim. Os outros que se posicionem no PFL através de cada um deles. Não estou nesse jogo fortalecendo meus adversários do mesmo campo. Do outro campo, a gente não pode fazer nada. A gente participa de 2006 se diferenciando. Eu me diferenciei do Aécio. Uma coisinha ali, uma batidinha aqui. Agora a gente tem uma equação Serra. Ele saiu uma vez. Sai a segunda? - deixa o suspense.