Embora a aliança entre PFL e PSDB para campanha eleitoral ainda nem tenha sido formalizada, o governador tucano de São Paulo, Geraldo Alckmin, e o prefeito do Rio de Janeiro, o pefelista Cesar Maia, já falam até em atrair mais aliados.
- Entendo que, podendo, devemos ampliar até a aliança, buscar outros partidos no campo da oposição no sentido de fortalecer a aliança - disse o governador, que visitou nesta sexta-feira as obras do estádio olímpico do bairro de Engenho de Dentro, que será usado nos Jogos Pan-americanos de 2007. Na véspera, o governador já havia afirmado que queria unir as oposições contra a esperada candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O prefeito do Rio, que garantiu não disputar as eleições deste ano, reafirmou a intenção de apoiar o candidato do PSDB ao Planalto.
- Estou inteiramente à disposição. O PFL do Rio é o soldado da campanha do governador Geraldo Alckmin - disse Maia.
Os dois vão almoçar no centro de tradições nordestinas em São Cristovão, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
- Ele vai entrar em campanha no Nordeste aqui pelo Rio de Janeiro - afirmou o prefeito.
Sobre a eventual candidatura do prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), ao governo paulista, Alckmin disse:
- Apóio, acho que podemos ter um grande candidato a governador.
FHC apóia, mas nem tanto
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso também disse, nesta sexta-feira, que tem "um palpite" de que o prefeito de São Paulo, José Serra, será o candidato do PSDB ao governo de São Paulo.
- O meu palpite é que sim. Ele não tomou a decisão, eu sei que ele não tomou ainda. Mas o meu palpite é que sim - disse Fernando Henrique. Pesquisa DataFolha divulgada esta semana mostra que o prefeito paulistano venceria a disputa no primeiro turno. Contra a ex-prefeita Marta Suplicy, Serra ficaria com 50% dos votos e Marta com 14%.
Em Washington, onde se encontra para o lançamento de seu livro The Accidental President of Brazil (O Presidente por Acidente do Brasil), uma versão adaptada para o público externo de sua autobiografia, lançada nesta semana no Brasil, FHC disse que não vai se envolver diretamente na campanha do candidato a presidente do PSDB, Geraldo Alckmin.
- Eu vou apoiar em tudo o que me pedirem, mas não cabe a mim fazer campanha propriamente dita - disse o ex-presidente.
Questionado sobre a possibilidade de "subir no palanque" para apoiar Alckmin, Fernando Henrique disse que "hoje em dia o palanque é eletrônico, o outro não tem muita importância". E disse que "se for necessário" pode gravar uma declaração de apoio ao candidato do partido.
- Se me pedirem alguma participação, alguma declaração. Tem que medir se é necessário - afirmou FHC, que foi francamente favorável à indicação de José Serra para o cargo hoje ocupado por Alckmin, mas adianta que adotará a mesma atitude em relação a Serra, caso ele venha a ser candidato a governador de São Paulo.
Autobiografia
No livro que FHC lança nos EUA, o ex-presidente faz um balanço do seu governo e se diz decepcionado com o governo Lula.
- Seu governo foi marcado por incompetência administrativa e por alegações de corrupção séria em seu círculo mais íntimo - escreveu Fernando Henrique.
Mas ele nota no livro que apesar do escândalo a economia brasileira permaneceu estável.
- Um forte sinal de que as idéias do meu governo devem durar. Lula governou com a mesma agenda política do meu governo, embora ele tenha falhado em instituir reformas mais significativas - avalia.
Na entrevista, questionado sobre o baixo crescimento econômico do país nos últimos anos, Fernando Henrique diz que Lula só adotou a mesma política macroeconômica que a dele nos fundamentos, como a responsabilidade fiscal, a meta inflacionária e o câmbio flutuante.
- O problema é a operação. A taxa de juros ficou muito elevada, por um