Rio de Janeiro, 19 de Março de 2026

Magnata de direita faz greve de fome na Bolívia

Sexta, 17 de Novembro de 2006 às 11:42, por: CdB

Pelo menos 20 integrantes da assembléia constituinte e do Congresso bolivianos, liderados pelo magnata do cimento Samuel Doria Medina, que é da oposição, iniciaram na noite desta quinta-feira uma greve de fome em protesto contra as disputas políticas que têm impedido a redação de uma nova constituição para o país. O protesto acontece depois de mais de três meses sem acordo sobre se a assembléia deveria aprovar suas resoluções por dois terços dos votos, como quer um setor da oposição, ou pela combinação da maioria simples e dois terços, como querem os governistas.

- Somos pela mudança, mas não aceitamos nenhuma imposição - disse a jornalistas o deputado Arturo Murillo, do partido centro-direitista Unidad Nacional (UN), o mesmo de Doria Medina, ao anunciar a manifestação.

Ele acrescentou que o UN, que tem oito votos na assembléia de 255 membros, não está de acordo com a proposta do governista Movimiento al Socialismo (MAS) de que a assembléia aprove a maioria de suas resoluções por maioria simples, deixando a necessidade de dois terços dos votos para os assuntos mais importantes. Mas o pequeno partido também não concorda com a exigência da principal força de oposição, a aliança Podemos, de que todas as decisões sejam tomadas por dois terços dos votos, disse Murillo, que definiu o jejum como "um sacrifício em defesa da democracia e da unidade nacional".

A greve de fome foi iniciada na madrugada de quinta-feira por Doria Medina e outros seis constituintes do UN na cidade de Sucre, no sul do país, onde fica a sede da assembléia. Na tarde de quinta, outros dois grupos adeririam à greve nas cidades de La Paz e Santa Cruz. O MAS tem maioria absoluta na assembléia com 142 votos, a Podemos tem menos de um terço com 60. O restante é dividido entre forças políticas de diversas tendências.

A definição do sistema de votação era o único tema pendente de aprovação no regulamento interno da assembléia, debatido desde a instalação da constituinte em 6 de agosto. A assembléia tem até agosto de 2007 para completar a redação da nova constituição do país.

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