As mães de Luziânia (GO) que tiveram seus filhos assassinados pelo pedófilo Ademar de Jesus da Silva participaram, nesta quinta-feira, de uma sessão de homenagem pelo Dia das Mães promovida pela Comissão de Direitos Humanos, do Senado.
Esvaziada pela presença apenas do presidente do colegiado, Cristovam Buarque (PDT-DF), e dos senadores José Neri (P-SOL-PA) e Serys Slhessarenko (PT-MT), a sessão de homenagem serviu para que as mães cobrassem do Legislativo e do Executivo medidas mais duras contra pessoas condenadas por crimes hediondos.
Elas confirmaram que processarão o Estado pela perda dos filhos. Valdirene Fernandes da Cunha, uma das mulheres que teve o filho assassinado, afirmou que o cidadão não tem culpa e não pode pagar por problemas de responsabilidade dos governantes como a superlotação das penitenciárias.
– O Estado tem que dar uma proteção maior ao cidadão. Se as penitenciárias estão superlotadas e resolvem soltar [os presos], nossos filhos não têm culpa alguma. Eles [os criminosos] estão aí, do nosso lado –, disse Valdirene.
Até hoje, as mães ainda não tiveram os corpos de seus filhos liberados para que possam enterrá-los.
Já Cirlene Gomes de Jesus, mãe de outra vítima do pedófilo, foi mais incisiva.
– Numa altura dessas, pedidos de desculpas não resolvem nada. Recebo esta homenagem com a maior tristeza. Antes, eu vinha à Brasília na esperança de encontrar meu filho.
Perguntada sobre as reivindicações que fariam aos parlamentares, Cirlene disse que as mães de Luziânia querem que tanto o Legislativo quanto o Executivo cumpram com suas obrigações.
– Eles vivem nos pedindo para confiar na Justiça. Nós queremos, agora, que eles façam o que pedem, que é tomar medidas para que a gente possa confiar na Justiça.
Outra reivindicação das mães é que a Polícia Federal continue no caso. Elas não estão convencidas de que os assassinatos dos adolescentes tenham sido praticados somente por Ademar de Jesus. Para Cirlene e as demais mães, não haveria como os assassinatos terem sido praticados somente pelo pedreiro.
O suicídio de Ademar, em um presídio de Goiânia, também é questionado pelas mães, que não descartam a possibilidade de queima de arquivo.
– Se ele saiu de Luziânia com medo de ser morto, porque iria se matar em Goiânia? –, questionou Cirlene.