Cinco dias depois da tragédia que matou uma de suas filhas e deixou a outra em coma por intoxicação por gás, Conceição Gonçalves se preparava na manhã desta quinta-feira (23) para voltar ao apartamento onde tudo aconteceu.
— Não sei o que ainda pode ser pior — desabafou a mãe, que vai pegar roupas e objetos das filhas Kawai, de 12 anos, e Keilua Baisotti, 5, no apartamento onde mora seu namorado, Antônio José Dutra, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.
— Minhas filhas eram o norte da minha vida. Cada minuto era vivido para elas. Agora, é esperar a situação da pequenina melhorar — disse Conceição, que mora na Itália.
O estado de Keilua, que sofreu lesões cerebrais, permance grave. — Ela está em coma, temos que esperar. Para a medicina, tudo é possível e impossível ao mesmo tempo — avaliou Conceição, que não tem data para voltar a Europa, mas desistiu de morar no Brasil.
'É um concurso de culpa'
Entre as reclamações da mãe das meninas está o descaso com a vida de suas filhas. — Se a CEG comprovou que a situação do banheiro era irregular, como foi instalar o aparelho num lugar sem condições? É um concurso de culpa. Tomar banho agora virou risco —.
Indignada, Conceição lembrou casos de crianças vítimas da violência no Rio, como o do menino João Hélio. — É uma reciclagem de desgraça, num país em que parece que a vida humana não tem valor — constatou, dizendo ainda que nem o condomínio, nem a administradora nem a CEG procuraram a família depois do acidente.
Conceição quer punição para os responsáveis, com o mesmo rigor que por pouco não indiciou Antônio por homicídio culposo. — Tive que provar que ele não tinha motivos para matar as meninas. O rigor com que agiram com ele tem que ser repetido com os verdadeiros culpados — completou.
Ela contou que seus advogados no Brasil e os de seu ex-marido, da Itália, devem recorrer à Justiça para punir os culpados.
O acidente
Kawai morreu no último sábado, quando tomava banho com a irmã Keilua na casa do padrasto, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio. Segundo a policia, o laudo preliminar do Instituto Médico Legal (IML) confirma a morte por intoxicação por monóxido de carbono. Durante a perícia, a CEG apontou irregularidades no sistema de exaustão do banheiro onde o acidente ocorreu.
As meninas, que moram na Itália com a mãe, passavam férias no Rio com a avó e costumavam ficar com o padrasto nos fins de semana para aproveitar a praia.