Após três anos de sofrimento, a família de Priscila decidiu apenas esperar a conclusão das investigações. A mãe de Priscila Belfort, Jovita Vieira, e o filho, o lutador Vitor Belfort, estiveram na Divisão Anti-Seqüestro (DAS), no Leblon, Zona Sul do Rio, para conhecer os detalhes do depoimento de Elaine Paiva da Silva, que se apresentou ao Ministério Público na segunda-feira e confessou ter participado do assassinato da jovem. Na saída, a mãe se mostrou descrente da versão dada pela suspeita.
— Existem muitas brechas no depoimento dessa mulher. Primeiro, a Priscila nunca foi usuária de drogas. Ela sofria de depressão, e isso todo mundo sabia. O doutor Fernando, psiquiatra dela há muitos anos, nunca levantou essa hipótese. A outra mentira: é a que ela foi seqüestrada porque devia R$ 9 mil a traficantes. Ora, ela tinha um carro no nome dela, que valia muito mais que isso. Portanto, tinha condições de pagar essa suposta dívida. E eu nunca recebi carta nenhuma — afirmou Jovita.
Vitor preferiu não fazer muitos comentários sobre o depoimento de Elaine. — Vamos aguardar a avaliação do Ministério Público e o resultado das investigações — Em tom de desabafo, Jovita agradeceu às pessoas que têm prestado solidariedade à família nesses anos de buscas ao corpo de Priscila, desde o desaparecimento em janeiro de 2004.
Ao mesmo tempo, disse que ainda guarda esperança de encontrar a filha com vida. — É a única coisa que quero na minha vida. O dia que eu não tiver essa esperança, não sei o que será de mim. Mas, quero a verdade, para que tudo isso chegue ao fim — disse, bastante emocionada.
Na luta por notícias sobre o paradeiro da filha, Jovita já participou do reconhecimento de três corpos de mulheres com idades aproximadas à de Priscila. — Ao longo desses três anos, a gente sofre desesperadamente e as coisas não vão adiante. Até gostaria que nada disso fosse verdade, mas a gente também quer um fim. Confiamos no trabalho da polícia. Só é necessário ter provas — desabafou.
Para Jovita, o desaparecimento da filha é pior do que a morte. — É desesperador. A única coisa que quero na minha vida é encontrar a Priscila viva. Tinha total confiança nisso. Mas ninguém vai ao Ministério Público à toa, vamos aguardar — disse, chorando.