— Onde houver culpado, haverá punição —. A previsão é da intérprete Conceição Gonçalves, mãe das meninas Kawai e Keilua Baisotti, de 12 e 5 anos, respectivamente, em entrevista coletiva no Rio, na manhã desta terça-feira. As duas filhas de Conceição foram intoxicada por gás quando tomavam banho no condomínio Barra Beach, na Barra Tijuca, Zona Oeste do Rio, e morreram.
Explicando que chegou ao Brasil há duas semanas ainda chocada e com as emoções divididas, Conceição, que mora na Itália, conta que só agora teve forças para se dedicar à luta por justiça.
— Vou lutar com todos os meios para encontrar todo e qualquer responsável. Desde o engenheiro que construiu e projetou o banheiro, a prefeitura que deu o habite-se, a CEG que instalou aquecedor em local inapropriado, o condomínio que se calou até hoje diante de uma morte em 1998, e a síndica, que tendo conhecimento disso tinha obrigação moral de nos alertar. Se os banheiros são iguais, todos os moradores podem ser vítimas. Tomar banho não pode ser uma loteria — acusa e desabafa. Ela adiou por um mês o retorno à Europa, tempo que considera suficiente para dar início aos processos.
Na próxima quarta-feira, Conceição vai à Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), onde tem encontro marcado com o deputado Alessandro Molón (PT) e mães do movimento Morte por gás nunca mais. Entre as reivindicações do grupo consta um pedido de maior rigor na legislação sobre instalação e manutenção de aquecedores.
O Instituto Médico Legal divulgou o resultado do laudo definitivo sobre a morte das meninas. As duas tiveram morte causada por intoxicação por monóxido de carbono.
O outro lado
O advogado do condomínio do Barra Beach, Mário Rebelo, disse que a administração do prédio cumpriu todas as exigências da CEG no cumprimento das normas para instalações dos medidores de gás.
— O que o condomínio não poderia fazer era invadir a privacidade das pessoas e vistoriar o interior dos apartamentos — afirmou. Ele disse, no entanto, que a síndica do prédio pediu à CEG para realizar uma vistoria em todos os apartamentos, nos próximos dias 28 e 29, com a permissão dos moradores.
Mário disse ainda que a mãe das meninas deveria aguardar o resultado das investigações. — Ela tem o direito de processar os responsáveis, mas precisa, antes disso, descobrir de quem é a culpa. E isso o inquérito é que pode apontar — afirmou.
A assessoria da CEG divulgou nota em que a empresa “se solidariza com a família e que vem colaborando com os trabalhos da perícia técnica para a elucidação das causas do acidente, ainda em fase de apuração”. O engenheiro, a síndica e a prefeitura ainda não se manifestaram.