Rio de Janeiro, 09 de Outubro de 2026

Mãe de adolescente morto em crime homofóbico no Rio luta por justiça

Sexta, 05 de Agosto de 2011 às 11:20, por: CdB
Mãe de adolescente morto em crime homofóbico no Rio luta por justiça

Angélica Ivo diz que a morte do filho, Alexandre, teve "todos os requintes de crueldade possíveis". Nome do jovem batiza projeto de lei que criminaliza homofobia

Por: raoniscanduzzi

Publicado em 05/08/2011, 13:00

Última atualização às 14:10

Tweet

Angélica Ivo, mãe do adolescente Alexandre, vítima de preconceito (Foto: arquivo pessoal)

São Paulo - Jovem, inteligente, bem humorado, amoroso e de estilo próprio. Estas são algumas das características destacadas por aqueles que conheciam Alexandre Ivo, garoto de São Gonçalo (RJ) brutalmente assassinado em junho de 2010, aos 14 anos, vítima de preconceito homofóbico. Angélica Ivo, sua mãe, espera e luta há mais de um ano pela punição dos responsáveis pelo crime que, segundo ela, “teve todos os requintes de crueldade possíveis”.

Alexandre Ivo batizou, recentemente, o possível substitutivo ao Projeto de Lei da Câmara 122/06, que prevê a criminalização da homofobia. A história do jovem comoveu o estado do Rio de Janeiro em meados do ano passado, quando três homens espancaram Alexandre até a morte e o atiraram em um terreno baldio na madrugada do dia 23 de junho. Uma queixa na delegacia após uma briga entre o grupo de  Alexandre e três skinheads teria motivado a agressão e assassinato do jovem de 14 anos.

Dois amigos de Alexandre, que são assumidamente homossexuais, sofreram ameaças após o episódio. À época, a polícia identificou Eric Boa Hora Bedruim e Alan Siqueira como os possíveis agressores do adolescente e decretou a prisão temporária de 60 dias de ambos. No entanto, eles conseguiram um habeas corpus para aguardar o julgamento - que ainda não ocorreu - em liberdade.

A apreensão de Angélica Ivo é flagrante quando ela conta que Alexandre não tinha ainda opção sexual definida. “Ele estava 'se descobrindo', jogava bola, andava de skate, e segundo os amigos, não tivera nenhuma experiência sexual ou amorosa nem com menino, nem com menina”, relata a mãe.

Todos contam que Alexandre mantinha uma relação saudável com sua família e todos os dias ajudava nos cuidados à sua avó, que meses antes havia sofrido um AVC.  Na escola, o garoto é lembrado, segundo depoimentos dos professores à polícia, como um menino muito inteligente e ativo, que participava de todos os debates em sala de aula e colocava, sem hesitar, seu ponto de vista, seja ele qual fosse.

Pela espontaneidade, sonhava em ser artista e trabalhar como ator. A mãe conta que sua beleza física chamava a atenção nas ruas e que por diversas vezes Alexandre foi convidado para ensaios fotográficos em agências de modelos.

Leitor assíduo, segundo Angélica, Alexandre ganhava livros do avô e separava, quase que diariamente, alguns minutos para a leitura. “A menina que roubava livros” era a obra à qual ele se dedicava quando foi morto.

“Eles sabem que a impunidade é grande e quando fizerem isso (cometer crimes motivados por homofobia) não vai acontecer nada. Quem sofre é somente a família”, desabafa a Angélica, que aguarda esperançosa alguma atitude da justiça para punir aqueles que, segundo ela, “mataram uma criança feliz, de bem com a vida, que não fazia mal a ninguém, por puro preconceito”.

Tags:
Edições digital e impressa