Maduro tenta contornar os problemas causados ao país por uma oposição raivosa
Os 30 ministros venezuelanos que integram o governo do presidente Nicolás Maduro colocaram seus cargos à disposição para "facilitar a renovação do Governo", anunciou o chefe de Estado venezuelano, em pronunciamento nesta sexta-feira.
"Recebi as cartas de todos os ministros pondo o seu cargo à disposição para facilitar a renovação do governo neste ano que se inicia", anunciou Nicolás Maduro na sua conta no Twitter.
O chefe de Estado venezuelano agradece "a todos os ministros pelo esforço e a lealdade que têm demonstrado nestes tempos de revolução", concluiu Maduro com a expressão "Chávez vive! A pátria continua!".
A atual equipe ministerial venezuelana tomou posse em 22 de abril de 2012, alguns dias depois das eleições presidenciais (14 de abril) em que Nicolás Maduro foi eleito presidente da Venezuela. Desde então, sete ministros foram substituídos.
Crise na segurança
Maduro convocou, nesta sexta-feira, uma reunião de emergência com participação de prefeitos e governadores para discutir o problema da criminalidade violenta. O recente assassinato da antiga Miss Venezuela, a atriz Monica Spear, e seu marido causou uma explosão de indignação no país. Centenas de pessoas participaram em protestos de rua para exigir ao governo tomar medidas para proteger o público da criminalidade.
Maduro, falando na reunião, prometeu “reforçar a coordenação” das autoridades e forças de segurança no combate ao crime. Ele chamou o assassinato da atriz uma “tapa na cara da sociedade”.
A pobreza em que se encontra parte da população venezuelana, segundo analistas, tem colaborado para o aumento na criminalidade. Para minimizar o problema, Maduro, neste mês, começou a pagar um aumento de 10% nos benefícios previdenciários e no salário mínimo. O aumento tem como objetivo "proteger a classe trabalhadora, que é a primeira vítima da inflação", disse o presidente em discurso transmitido pela televisão. Analistas, porém, advertem que a medida pode agravar os desequilíbrios econômicos, já que a inflação anual de 2013 fechou em 56%, a mais alta das Américas e mais do que o dobro da taxa registrada no país no ano anterior.
O índice de escassez do banco central, um medida do porcentual de bens que faltam nas prateleiras do comércio, subiu para 22,4% em outubro, o mais alto em quatro anos. Os dados de outubro são os últimos disponíveis. Maduro responsabiliza a ganância do setor privado como responsável pelos problemas do país. Segundo ele, o setor trabalha com seus inimigos políticos para elevar a inflação e desestabilizar o regime.
O presidente também já considerou a ideia de aumentar os preços da gasolina pela primeira vez em 16 anos para aumentar a arrecadação. A Venezuela gasta US$ 12,5 bilhões por ano com subsídios domésticos aos combustíveis, o que permite aos habitantes do país encher os tanques de seus carros com muito pouco dinheiro. O petróleo corresponde a 95% das exportações venezuelanas.
A medida do governo elevou o salário mínimo para 3.270 bolivianos ou US$ 519 pela taxa de conversão oficial.
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