Rio de Janeiro, 13 de Setembro de 2026

Maduro alerta sobre golpe de Estado em curso na Venezuela

Quinta, 13 de Fevereiro de 2014 às 08:36, por: CdB
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Manifestantes atearam fogo às latas de lixo e formaram barricadas nas ruas de Caracas
A inteligência venezuelana recebeu ordens para prender um líder opositor na madrugada desta quinta-feira, depois de o presidente Nicolás Maduro considerar uma tentativa de golpe de Estado os incidentes que deixaram três mortos durante protestos estudantis na véspera. A juíza Ralenys Tovar ordenou ao Serviço de Inteligência Bolivariano a detenção do opositor Leopoldo López, acusado de homicídio, lesões graves e associação para fins de delinquência, segundo o site do jornal El Universal, que publicou uma imagem da ordem prisão. Uma porta-voz de López afirmou que não tinha, ainda, quaisquer informações a esse respeito. Na quarta-feira, milhares de estudantes, acompanhados por líderes da oposição, protestaram nas ruas de Caracas e de outras cidades contra a insegurança, a inflacção e a falta de produtos básicos, numa nova etapa da mobilização dos jovens registada há 10 dias. O protesto, o mais intenso até agora contra Maduro, desde que sucedeu Hugo Chávez, causou confrontos durante várias horas. Três pessoas morreram, dezenas ficaram feridas e quase 80 foram detidas. – Lamentável o assassinato de um membro combativo da Revolução Bolivariana perto da Praça Candelária (a 200 metros de onde os opositores protestavam). Foi assassinado de forma vil pelo fascismo. Até quando vamos continuar a registar mortes? – perguntou Diosdado Cabello, presidente da Câmara, numa declaração transmitida pela televisão oficial, ao anunciar o primeiro morto dos protestos. A morte de um manifestante do município opositor de Chacao foi anunciada na página do Twitter do presidente das câmara da cidade, Ramón Muchacho. Em cadeia nacional de rádio e televisão, Maduro disse que está um "golpe de Estado em andamento", mas prometeu que "a revolução bolivariana vai, mais uma vez, triunfar". Maduro, que assistiu a um grande desfile militar em honra do ex-presidente Hugo Chávez, morto no ano passado, disse ter passado "instruções muito claras às forças de segurança". Leopoldo López, líder do partido de oposição Vontade Popular e agora sob ordem de captura, é um dos três dirigentes que estimulam a tática de ocupar as ruas com protestos antigovernamentais com o lema 'A saída'. Os outros dois líderes do movimento são o presidente da Câmara de Caracas, Antonio Ledezma, e a deputada Maria Corina Machado, que tem imunidade parlamentar. A tática da oposição nas ruas resultou em acusações de golpismo e divergências com outros opositores, como o ex-candidato presidencial Henrique Capriles. Os três dirigentes ratificaram a estratégia na noite de quarta-feira. – Face a uma tirania a resposta é a rua e a mobilização – disse a deputada Maria Corina Machado, que designa o governo de 'ditadura Castro-Comunista'. Maduro foi eleito em Abril de 2013 por uma pequena margem de 1,5% contra Henrique Capriles. Oito meses depois, nas eleições municipais de Dezembro de 2013, os candidatos do governo receberam 55% dos votos e consolidaram a vitória do chavismo na Venezuela, o que a oposição recusa-se a aceitar. Oposição golpista As duas pessoas que morreram durante um protesto contra o governo em Caracas, na quarta-feira à noite, pertenciam aos grupos simpatizantes do governo de Maduro, segundo informações iniciais obtidas de fontes independentes, nesta capital. No mesmo dia, ocorreram manifestações a favor do presidente. Uma outra morte foi também registada em distúrbios no município de Chacao, a leste da capital e a vítima também seria aliada do governo. Uma das vítimas em Caracas foi um estudante de 24 anos identificado como Bassil Alejandro Dacosta, atingido por um tiro na cabeça. A outra vítima foi Juan Montoya, membro de uma milícia paramilitar que também fazia parte do corpo policial de Caracas, mas que estava à paisana e foi atingido por dois tiros, um na cabeça e outro no peito. Em Chacao, o presidente da Câmara, Ramón Muchacho, do partido de oposição ao governo, reconheceu que uma pessoa cuja identidade não foi divulgada morreu vítima de tiros durante incidentes provocados por 'grupos irregulares' (contrários ao governo) nas ruas da cidade. Durante a tarde, manifestantes usaram lixo queimado para criar barricadas nas ruas, provocando distúrbios e caos no trânsito, tendo a Guarda Nacional Bolivariana tomado a rua principal da cidade durante a noite. No Twitter, o líder da oposição, Henrique Capriles, condenou os atos violentos de quarta-feira. – A violência jamais será nosso caminho. Temos a certeza que a imensa maioria a recusa e a condena. Hoje mobilizaram-se milhares de forma pacífica para exercer o seu direito ao protesto! Inaceitável manchar essa demonstração com violência – acrescentou o governador do Estado de Miranda. O chefe da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, que também é vice-presidente do partido governamental Psuv, falou sobre a morte de Montoya, a quem chamou de "combatente da revolução bolivariana". – Temos um camarada assassinado pelas hordas fascistas da oposição venezuelana que não entende que perde as eleições. São assassinos, são fascistas, e depois vão esconder-se debaixo das saias do império norte-americano – disse, num discurso inflamado. A procuradora-geral da República, Luisa Ortega Díaz, considerou os conflitos uma ação "planejada para desestabilizar e instalar o caos no país". Acrescentou que o Ministério Público tem material para identificar os causadores dos distúrbios. – Temos material fotográfico, vídeos, gravações de diferentes ângulos – afirmou, segundo o jornal espanhol El Mundo.
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