Rio de Janeiro, 15 de Agosto de 2026

Madri fará conferência de doadores para a reconstrução do Iraque

Sexta, 05 de Setembro de 2003 às 15:22, por: CdB

A Espanha anunciou oficialmente nesta sexta-feira a realização da Conferência de doadores de Madri para a reconstrução do Iraque e insistiu na necessidade do fortalecimento das instituições iraquianas para que possam administrar seu próprio desenvolvimento e crescimento econômico. O secretário-geral da Agência Espanhola de Cooperação Internacional (AECI), Rafael Rodríguez-Ponga, fez a apresentação oficial da Conferência, que acontecerá nos dias 23 e 24 de setembro, em Madri.

O anúncio foi feito na reunião que o Grupo de Enlace para a Avaliação das necessidades da reconstrução no Iraque realiza na sede da ONU em Nova York, do qual participam 60 países doadores, assim como agências humanitárias e instituições financeiras mundiais.

Rodríguez-Ponga afirmou que nesta reunião está sendo avaliado um meio de as doações serem canalizadas, assim como a possibilidade de criação de um novo fundo para o qual sejam destinadas contribuições financeiras.

- Ainda há muitas decisões a serem tomadas, sobre quem deve administrar este novo fundo, quem da parte iraquiana será o receptor do dinheiro - declarou.

O secretário-geral esclareceu que nem todas as doações seriam feitas através do novo fundo, mas que há outras vias de financiamento, como as agências especializadas da ONU e as organizações não-governamentais.

- A Espanha quer manter a flexibilidade e a variedade de vias de financiamento, assim como criou as suas próprias através da inauguração de um Escritório Técnico de Cooperação em Bagdá - disse.

Antes da realização da Conferência de Madri, o Banco Mundial e as instituições financeiras terão apresentado suas propostas sobre as modalidades e vias de financiamento que serão aprovadas nessa reunião de doadores da capital espanhola.

Rodríguez-Ponga ressaltou que, à margem das doações, a Espanha enfatiza que o futuro do crescimento da economia do Iraque dependerá da própria capacidade iraquiana de explorar suas riquezas, como o petróleo, assim como de desenvolver o comércio e o setor empresarial, com a captação de investimentos privados.

O papel do Conselho de Governo iraquiano, formado por 25 membros nomeados pelos EUA na gestão dos fundos desembolsados, é outro tema que está sendo debatido em Nova York.

- As discussões se concentram não só em dar um papel político a este Conselho de Governo, mas em ver a capacidade de gestão e administração de fundos a longo prazo - informou o representante espanhol.

A falta de segurança no Iraque é outra das preocupações que surgiram na reunião, especialmente porque as atuais condições de insegurança impedem a realização não só de trabalhos humanitários, mas também no âmbito do progresso. Neste aspecto, Rodríguez-Ponga ressaltou que "é uma falsidade querer estabelecer uma dissociação entre a segurança e o desenvolvimento", acrescentando que "as dificuldades que existem no Iraque são as mesmas que há na Colômbia ou em Jerusalém, onde a Espanha também está cooperando".

O sucesso da Conferência de doadores, segundo ele, dependerá das expectativas, que podem ser de caráter ilimitado, ou centradas em cobrir as necessidades básicas para o povo iraquiano. Até o momento, a Espanha destinou US$ 100 milhões em ajuda financeira ao Iraque, contribuição que aumentará, embora não se saiba o quanto.

- Temos que fazer as contas e ver com os diferentes ministérios que quantidade de dinheiro mais podemos nos comprometer a destinar - ressaltou Rodríguez-Ponga.

O modelo da Conferência de doadores é o do Afeganistão, onde uma primeira avaliação da ONU pedia o desembolso de forma imediata de US$ 600 milhões para começar a reconstrução de dito país. No entanto, Rodríguez-Ponga afirmou que as condições do Afeganistão são diferentes das do Iraque, já que este último país tem muitas mais oportunidades de recuperar-se economicamente por si só através de seus profissionais, da agricultura e de recursos como o gás e o petróleo.

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