Mais de 2 milhões de manifestantes se reuniram no Centro de Madri no início da noite desta sexta-feira para um protesto contra o terrorismo que assola o país. Nesta quinta-feira, o país foi palco do pior atentado de todos os tempos na Europa, com 199 mortos.
A Espanha jurou na sexta-feira que vai seguir todas as pistas para descobrir quem colocou as bombas nos trens de Madri. O mundo aguardava indícios que mostrassem se militantes bascos ou muçulmanos estavam por trás do pior ataque de guerrilha a uma cidade européia.
A apenas dois dias da eleição, o primeiro-ministro José María Aznar defendeu sua acusação inicial de que o grupo separatista basco ETA era o responsável pelas explosões que mataram quase 200 pessoas e feriram cerca de 1.500 na quinta-feira.
Na sexta-feira, no entanto, o grupo separatista basco negou a responsabilidade pelos ataques, segundo um comunicado do grupo divulgado pela tevê estatal do País Basco.
O medo de que grupos islâmicos ligados à Al Qaeda fossem os reais mentores dos ataques pôs as forças de segurança da Europa e do mundo em alerta.
``Nenhuma linha de investigação vai ser descartada'', disse Aznar, pouco antes da homenagem silenciosa feita em todo país para lembrar as vítimas.
O governo espanhol vem acusando o ETA desde o princípio. Se os bascos realmente forem culpados, o governista Partido Popular pode ser beneficiado nas eleições gerais de domingo, por causa de sua dura política de repressão aos separatistas, acreditam analistas.
Mas, se a atrocidade foi obra de militantes islâmicos, ela poderia ser vista como o preço que o país teve de pagar pelo apoio de Aznar à guerra contra o Iraque, que enfrentou forte oposição espanhola.
``O que essa organização terrorista (o ETA) queria quando tentou entrar em Madri na semana passada com 500 quilos de explosivos? ... É uma linha de investigação que qualquer governo espanhol que não tenha ficado maluco tem de seguir. É a que estamos seguindo e, se há outras hipóteses, vamos segui-las também'', disse Aznar.