Um incidente político que envolve mulheres influentes e a pop star Madonna teve uma guinada na segunda-feira e pode custar o emprego do embaixador mais importante de Israel.
O novelesco incidente ganhou força quando o embaixador israelense em Washington, Danny Ayalon, pediu um inquérito oficial para apurar se a socialite casada com o chanceler Silvan Shalom demitiu um funcionário da embaixada que não teria conseguido marcar um encontro dela com Madonna.
Fontes do Ministério de Relações Exteriores insinuam que Ayalon estaria tentando desviar a atenção do fato de que o governo está enviando um investigador a Washington para apurar as denúncias de que a mulher dele teria agredido verbalmente funcionários da residência oficial.
Uma fonte próxima a Shalom disse que o ministro estaria disposto a retirar Ayalon do cargo, embora o embaixador goze do respeito do governo norte-americano.
- Shalom perdeu a confiança nele - afirmou a fonte.
A disputa está tendo amplo espaço nos jornais e televisões, onde normalmente o destaque é para questões de guerra e política.
- A briga fica mais suja - disse o Maariv em sua manchete sobre o caso, refletindo as antigas tensões entre Shalom e Ayalon, que foi escolhido diretamente para o cargo pelo primeiro-ministro Ariel Sharon.
O mandato de Ayalon, de três anos, termina em agosto. Normalmente, o governo amplia esse prazo por um ano.
Funcionários do gabinete de Sharon dizem que ele vai impedir qualquer tentativa de demitir Ayalon antes de agosto. O embaixador irritou Shalom ao passar por cima dele e se reportar diretamente ao primeiro-ministro, como vários diplomatas antes já haviam feito.
Mas pode ser arriscado para Sharon manter Ayalon por mais um ano no cargo. Ele precisa do apoio de Shalom na briga com o ministro das Finanças, Benjamin Netanyahu, pela liderança do partido direitista Likud, no ano que vem. Shalom também é considerado um rival em potencial.
A Rádio Israel disse que o ministro vai tomar providências uma vez que a investigação sobre a mulher de Ayalon esteja completa.
O governo quer o caso encerrado para que os EUA não tenham a impressão de tumulto político em Israel, justamente no momento em que Sharon se prepara para desocupar a Faixa de Gaza e parte da Cisjordânia, a partir de agosto.
Os jornais dizem que a mulher de Shalom, Judy Shalom Mir Nozes, vistosa herdeira de um jornal e apresentadora de um talk-show, ficou inconformada por não ter tirado uma foto com Madonna durante a visita da cantora a Israel, em setembro.
O Jerusalem Post afirma que Ayalon se queixou por escrito pelo fato de que Mir Nozes teria pressionado pela demissão de um de seus assessores, Liron Petruzil.
- Eu não interfiro - disse Mir Nozes ao Canal 2 da TV local no domingo. O Ministério das Relações Exteriores também negou qualquer interferência.
Madonna é pivô de crise na diplomacia israelense
Segunda, 16 de Maio de 2005 às 12:48, por: CdB