O público de São Paulo foi das vaias ao êxtase assim que as luzes se acenderam para o primeiro show de Madonna na cidade, na noite de quinta-feira. A demora de cantora em subir ao palco no estádio do Morumbi foi rapidamente esquecida, principalmente depois de ela prometer que voltará em breve ao país.
Entre o início do show de abertura com o DJ Paul Oakenfold e a entrada de Madonna no palco para a terceira apresentação da turnê "Sticky & Sweet" no Brasil, passaram-se duas horas. Atraso que não foi perdoado pelas cerca de 67 mil pessoas que lotavam o estádio, segundo a produção.
Mas as vaias viraram gritos e aplausos assim que Madonna subiu ao palco e gritou um "Olá, São Paulo" em português, com um sotaque mais para um "hola" em espanhol.
A partir daí, seguiram-se quase duas horas de um show repleto de sensualidade em que a vitalidade e a resistência física da diva do pop, com seus 50 anos, não deixa de surpreender.
Madonna não pára um instante. Ela salta, dança, toca guitarra e chega até mesmo a pular corda. Impecável, na coreografia e a sincronia com os dançarinos. E, apesar de esperado, esse desempenho ainda chama a atenção dos fãs que têm a chance de vê-la ao vivo.
- Vale tudo para ver a Madonna, ela é uma super performer, uma supercantora, chegou aos 50 anos com toda essa vitalidade - disse Roberto Sena, 25, publicitário de Manaus que chegou ao estádio por volta das 16h do dia anterior ao show.
Madonna esbanjou simpatia durante todo o show. Levantou a platéia principalmente com suas músicas mais antigas, como as releituras de "Vogue", "Borderline" e "Into the Groove", uma das músicas em que mais interagiu com a platéia.
E ela conquistou os fãs de vez quando, ao ouvir eles gritarem "We love you" (nós amamos você), respondeu, sempre em inglês:
- Eu amo vocês também. Estou muito feliz de estar aqui de novo. Da próxima vez não vou demorar tanto. Vocês querem que eu volte? - perguntou, referindo-se ao hiato de 15 anos de shows no Brasil. A resposta foi imediata: um sonoro "sim".
Elaine Cristina de Souza, 38, professora, presenciou os dois shows. Gritando rente à grade de proteção, ela faz questão de mostrar o ingresso e as fotos da passagem anterior de Madonna no país.
- A Madonna é única, jamais vai haver outra no nível dela. Que mulher hoje na posição dela está tão alto no profissionalismo? - disse.
Sorrindo, Madonna mandou um beijo para a platéia após cantar "You Must Love Me", para em seguida levar o público ao delírio com "Like a Prayer". E mais declarações, em inglês: "Amo vocês. Estou muito feliz de terminar meus shows em São Paulo", gritou ela.
O pedido de um fã para cantar "Like a Virgin" foi a deixa para brincar mais com o público, já que ela pediu que todos a ajudassem, caso ela se "esquecesse" da letra. Foi atendida prontamente.
Já era quase meia-noite quando Madonna cantou a última música, "Give it to Me", usando uma camisa 10 da seleção brasileira com seu nome.
Empolgada, chegou a descer do palco, ficando ao alcance das mãos do público.
Madonna faz mais duas apresentações em São Paulo, no sábado e no domingo. E para quem ainda tem dúvidas sobre o show, a bancária Andrezza Cabral, de 32 anos, resume: "Não tem o que falar. Estou sem palavras".