Duas séries de época separadas por 200 anos de história norte-americana, Mad Men e John Adams, entraram para o livro de recordes do Emmy no domingo, quando a cerimônia de apresentação da maior premiação da televisão dos EUA foi marcada por insinuações políticas.
Mad Men, a aclamada nova série da AMC que tem como cenário a cena publicitária de Nova York no auge da revolução social dos anos 1960, tornou-se o primeiro programa de um canal a cabo que não a HBO a vencer o Emmy de melhor série dramática.
Já a série em sete capítulos John Adams, produção da HBO sobre o segundo presidente americano, encerrou a noite com 13 Emmys, a maior premiação para uma minissérie, ultrapassando o recorde anterior de 11 estatuetas de Angels in America, produção de 2004 da HBO adaptada da peça homônima vencedora do prêmio Pulitzer.
Os eleitores do Emmy também repetiram a história coroando uma paródia da própria indústria da tevê, a série 30 Rock, eleita melhor comédia pelo segundo ano consecutivo, enquanto outra sátira da NBC, The Office, foi esnobada pelo terceiro ano seguido.
A diferença este ano foi que 30 Rock também deu prêmios às suas duas estrelas, Tina Fey e Alec Baldwin.
Fey foi eleita melhor atriz de comédia como a perturbada chefe de redação de um programa de variedades, um papel vagamente baseado em sua experiência no programa "Saturday Night Live". Baldwin venceu o prêmio de melhor ator de comédia como seu chefe egoísta e inescrupuloso.
Criadora e produtora da comédia, Fey também conquistou o melhor roteiro de uma série cômica.
Nas séries dramáticas a atriz Glenn Close, cinco vezes indicada ao Oscar, foi eleita melhor atriz, como aliás já era esperado, por encarnar uma impiedosa advogada na nova série de tribunal da FX Damages.
A maior surpresa da noite foi o Emmy de melhor ator de drama concedido a Bryan Cranston, que estrela outro programa da tevê a cabo na AMC, Breaking Bad. no papel de um professor de segundo grau e doente terminal que fabrica metanfetamina.
Cranston, que anteriormente fez o papel do pai na comédia da Fox Malcolm in the Middle, chamou a atenção a disparidade entre sua honraria no Emmy e a pouca audiência de seu show, algo que muitos vencedores do prêmio deste ano têm em comum.
- Estamos em uma rede pequena, poucas pessoas nos vêem, então com um pouco de sorte isto vai atrair alguma atenção para nós - disse ele nos bastidores.
John Adams foi o grande vencedor com um total de 13 prêmios, incluindo melhor minissérie. A estatueta de melhor ator na categoria foi para seu protagonista Paul Giamatti, mais conhecido pelo papel do melancólico apreciador de vinhos no filme Sideways.