Rio de Janeiro, 06 de Janeiro de 2026

Macron vence eleição francesa e Le Pen perde espaço político

Macron venceu com uma margem de 65,5% a 66,1% dos votos, à frente de Le Pen, com 33,9% e 34,5%. Os números constam nas pesquisas de institutos independentes

Domingo, 07 de Maio de 2017 às 13:07, por: CdB

Macron venceu com uma margem de 65,5% a 66,1% dos votos, à frente de Le Pen, com 33,9% e 34,5%. Os números constam nas pesquisas de institutos independentes. O ex-banqueiro substituirá o socialista François Hollande

 

Por Redação, com agências internacionais - de Paris

 

Candidato neoliberal, o economista Emmanuel Macron, de 39 anos, foi eleito neste domingo. O novo presidente da França — o mais jovem da história do país — evitou a potência econômica mundial caísse nas mãos da adversária de ultradireita, Marine Le Pen.

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Macron foi eleito com mais de 65% dos votos na eleição francesa. Ele derrotou a neonazista Marine Le Pen

Macron venceu com uma margem de 65,5% a 66,1% dos votos, à frente de Le Pen, com 33,9% e 34,5%. Os números constam nas pesquisas de institutos independentes. O ex-banqueiro substituirá o socialista François Hollande. O presidente que se retira se recusou a disputar a reeleição por falta de apoio popular.

Abstenção

A taxa de comparecimento aos locais de votação foi menor do que o previsto. Atingiu 65,3% até 17h no horário local (12h em Brasília). Trata-se do menor nível desde 2007 pelo menos, informou no início da tarde o Ministério do Interior do país.

Em 2012, nessa mesma etapa do processo eleitoral, 71,96% dos eleitores haviam comparecido às urnas. Já em 2007, o nível havia atingido 75,11%. A votação seguiu até às 19h (14h em Brasília) nas cidades menores e até às 20h (15h em Brasília) em municípios maiores, como Paris.

Uma pesquisa do instituto Cevipof publicada no site do jornal francês Le Monde, na quarta-feira, mostrava que Macron teria 59% dos votos e Le Pen 41%, resultado semelhante ao de pesquisas dos últimos dias. As previsões se confirmaram, ao contrário do que previa Le Pen.

França dividida

Macron vai governar uma França muito dividida politicamente entre zonas urbanas (privilegiadas e reformistas) e as despossuídas (tentadas pelos extremos). Macron, que não parece recuar diante dos desafios, tem vários de grande tamanho pela frente, como um desemprego endêmico de 10%, a luta antiterrorista e a crise da União Europeia (UE).

Ainda que Marine Le Pen, de 48 anos, tenha perdido por ampla margem, esta não foi não é uma derrota absoluta para ela, nem para seu partido, a Frente Nacional (FN), que convenceu de 33,9% a 34,5% do eleitorado com promessas contra a imigração e a zona do euro. Não apenas isto, mas criou-se um vácuo entre as principais forças políticas do panorama nacional.

Em apenas um ano, desde que fundou o movimento de centro Em Marcha!, Macron abriu caminho em um país onde os dois grandes partidos tradicionais de esquerda e direita se alternavam no poder há meio século.

Pró-euro

Superou-os no primeiro turno com um programa europeísta e liberal em temas econômicos e sociais. Foi para o segundo turno com uma vantagem cômoda nas pesquisas, reforçada no debate com sua adversária, mas isto não impediu que levasse um susto de última hora, com um ataque maciço de hackers cuja origem é desconhecida e é investigado pela justiça francesa.

Para o mundo, estas eleições são um termômetro que mede a força dos populistas e toma o pulso da União Europeia, após a vitória do Brexit no Reino Unido.

A aposta política de Macron foi um sucesso, mas o passo seguinte é uma incógnita. A França não elege só seu presidente. Em junho, celebra eleições legislativas, afetadas pela incerteza.

O baque político da direita e dos socialistas no primeiro turno e o avanço da extrema direita ao segundo turno gera uma interrogação: Macron será capaz de conseguir uma maioria parlamentar e evitar uma coabitação complicada apesar de não dispor da máquina de um partido tradicional?

Marine Le Pen pode eleger muitos mais deputados dos que tem atualmente, com sua campanha anti-UE, contra a globalização, os imigrantes ilegais e as elites em um país corroído pelo desemprego e traumatizado pela onda de atentados extremistas.

‘Europa protetora’

O homem que sacudiu a política com um novo partido fascina pessoas próprias e estranhas. Não só por sua juventude, mas por ser casado com uma mulher 24 anos mais velha: Brigitte, a futura primeira-dama loira e magra que foi sua professora de teatro e que foi onipresente na campanha.

Líderes mundiais do porte da chanceler Angela Merkel e do ex-presidente americano Barack Obama apoiaram seu programa, centrado na divisa: "uma França aberta, confiante e conquistadora" em "uma Europa protetora".

Macron será o presidente mais jovem da história da França, mais jovem até mesmo que Louis-Napoléon Bonaparte, que tinha 40 anos quando foi eleito em 1848, e um dos mais jovens do mundo.

Ele tem cinco anos pela frente para comandar um país com armas nucleares. A França é membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, e motor, juntamente com a Alemanha, da União Europeia, cuja zona do euro quer dotar de um orçamento, um Parlamento e um ministro das Finanças próprio.

A vitória de Macron, formado nas escolas da elite francesas, encerra uma campanha eleitoral repleta de sobressaltos. Durante a campanha, os imbróglios judiciais ofuscaram durante um bom tempo os temas de fundo. Isso, somado ao cansaço de uma cidadania desencantada com os políticos.

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