A Macedônia realiza na próxima quarta-feira o segundo turno das eleições presidenciais, do qual participam o atual primeiro-ministro, o social-democrata Branko Crvenkovski, e o opositor e conservador Sasko Kedev.
Os dois candidatos foram os mais votados no primeiro turno, no último dia 14, quando Crvenkovski, líder da União Social-Democrata da Macedônia (SDSM), obteve 42,49% dos votos, e Kedev, deputado do Movimento Revolucionário Macedônio do Interior (VMRO), 34,09%.
No primeiro turno, foram derrotados os candidatos da minoria albanesa: o ex-guerrilheiro Gezim Ostreni, secretário-geral e deputado da União Democrática para a Integração (DUI), parceiro da coalizão no governo, e Zudi Xhelili, do opositor Partido Democrático dos Albaneses (DPA).
Ostreni obteve 14,78 por cento dos votos, e Xhelili, 8,63 por cento. Seus eleitores podem ser o fiel da balança no segundo turno. Crvenkovski é considerado o favorito nas eleições, mas a crescente popularidade do VMRO, o maior partido de oposição, fará com que o vencedor seja incerto até o final.
Estas eleições presidenciais servem para que a SDSM e o VMRO meçam suas forças pensando nas próximas eleições locais.
"Se o meu adversário vencer, deixarei de ser chefe do governo e da SDSM", garantiu Crvenkovski durante a campanha eleitoral, convencido de sua vitória.
"Se eu for eleito presidente da Macedônia, serei presidente de todos e para todos os cidadãos, não de só alguns. Cooperarei com todos os que vivem neste país para que todos possam ser parte de grandes projetos que nos esperam, que são as reformas da sociedade e a entrada na Otan e na União Européia (UE)", acrescentou.
Engenheiro de 42 anos, Crvenkovski é um experiente político que foi nomeado primeiro-ministro três vezes e se considera capaz de fazer a ex-república iugoslava entrar para a Otan em 2007 e para a UE depois.
Os dirigentes da DUI, o principal partido albano-macedônio, anunciaram seu apoio no segundo turno a Crvenkovski, afirmando que seus partidos têm os mesmos objetivos políticos.
Crvenkovski também conta com o apoio do Partido Liberal Democrata, que participa da coalizão governante, do pequeno Partido da Prosperidade Democrática, tambêm albanês, assim como de outros grupos representantes das minorias.
Seu adversário, o cardiologista Kedev, concentra sua campanha nas críticas ao governo devido à grave situação econômica e ao desemprego, que passa dos 30 por cento, e promete solucionar a situação.
Kedev também acusa Crvenkovski de autoritarismo partidarista. "Não podemos esperar que seja presidente de todos um homem que só faz acordos com as estruturas de determinados partidos. O povo deve colocar fim para sempre à ditadura partidarista que no passado atrapalhava o caminho do povo macedônio para um futuro melhor", disse Kedev. "O futuro presidente tem que unir todos os cidadãos em torno dos interesses vitais do Estado. Ofereço aos albaneses igualdade, como a todos os cidadãos macedônios, mas também as obrigações que isso implica", indica esse candidato.
Kedev, pouco conhecido como político, apresenta-se na campanha com o lema "o novo rosto da Macedônia" e, da mesma forma que Crvenkovski, apóia a adesão às UE e à Otan.
Embora alguns analistas previssem o apoio aberto do opositor DPA a Kedev, os líderes deste partido da minoria albanesa, que no mandato anterior dividia o poder com o VMRO, convidaram seus seguidores a votar no segundo turno "segundo sua vontade", sem defender nenhum dos candidatos.
As eleições presidenciais no país balcânico são realizadas com antecipação devido ao falecimento, em 26 de fevereiro, do presidente Boris Trajkovski, em um acidente aéreo no sul da Bósnia.
O mandato de cinco anos do popular Trajkovski acabaria em dezembro, e o eleitorado de 1,7 milhão de macedônios devia escolher seu novo chefe do Estado em novembro.
A votação da próxima quarta-feira será supervisiona