Rio de Janeiro, 20 de Maio de 2026

Má conservação dos trilhos é a causa do acidente em Guapimirim

Sexta, 24 de Junho de 2005 às 11:57, por: CdB
A falta de conservação dos trilhos foi a causa do acidente ocorrido na área de proteção ambiental (APA) de Guapimirim, no Rio de Janeiro, em 27 de abril deste ano. A denúncia foi feita, na quinat-feira, pelo presidente do Conselho Regional de Engenharia do Rio de Janeiro (Crea-RJ), Reynaldo Rocha Barros, durante audiência da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável na Câmara Federal.
 
O objetivo da audiência era esclarecer as causas do acidente em que uma composição da empresa Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) descarrilou. Um dos vagões despejou 60 mil litros de óleo diesel. O combustível se espalhou pela APA de Guapimirim, que fica na região metropolitana do Rio. O material contaminou rios e chegou a poluir a baía de Guanabara. Uma comissão do Conselho de Engenharia investigou o acidente e concluiu que a ferrovia está em condições precárias.
 
O presidente da Centro Atlântica, Mauro Dias, responsável pelo estado de conservação da ferrovia, informou que cerca de R$ 11 milhões estão sendo investidos na conservação dos trilhos neste ano. Ele informou ainda que a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) considera que a ferrovia está em condições normais de tráfego.

Os argumentos de Mauro Dias não convenceram o deputado Babá (sem partido-PA), integrante da Comissão de Meio Ambiente.

- Mesmo que a empresa diga que fez o investimento, o que se percebe não é isso. A denúncia do Crea é grave. São dormentes que não foram trocados, apodrecidos, parafusos soltos: isso tudo foi a causa do acidente e mostra a responsabilidade da empresa pelos danos ao meio ambiente - acusou.
 
A lentidão na adoção de providências em relação ao acidente também foi apontada como agravante pelo alastramento do dano ambiental. A acusação foi feita pelo presidente da APA, Breno Herreira da Silva Coelho. As afirmações de Coelho, no entanto, foram contestadas pelo presidente da ferrovia. Mauro Dias afirmou que a empresa tomou todas as providências para que os danos fossem minimizados, mobilizando bombeiros, entidades ambientalistas e empresas especializadas em retirada de óleo. A população de áreas vizinhas ao local do acidente, segundo ele, foi deslocada para hotéis.

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