Rio de Janeiro, 06 de Novembro de 2026

Luxo no lixo - parte II

Terça, 18 de Março de 2008 às 11:25, por: CdB

Escrevi a coluna da semana passada tomada por uma indignação profunda e absoluta. Moro no Rio de Janeiro e sou uma dessas pessoas que fica catando o lixo que está espalhado pela areia antes de me acomodar na canga. Claro que não adianta muita coisa, mas já muda algo em volta. Não vejo esse movimento vindo das pessoas que freqüentam as praias da zona sul carioca. Aliás, nem em outras praias, de outras cidades. Provavelmente devem achar que é um "mico" ficar catando o lixo dos outros... Nem os barraqueiros - que, teoricamente, deveriam cuidar melhor do "espaço" que ocupam - têm esse cuidado de conscientizar as pessoas de levarem seu lixo embora ou pelo menos jogá-lo nas latas que estão à disposição em toda a orla. Já vi alguns movimentos de distribuição de sacolinhas de plástico, mas que acabam sendo "esquecidas" nas areias assim como os canudos, copos e outras tantas coisas.

Este é um tema de extrema importância que pode e deve ser abordado todos os dias, por todas as pessoas, de todas as idades, em todas as rodas de conversas, até que a consciência da mudança de atitude esteja internalizada e fixada no inconsciente coletivo.

Outro dia, na praia do Peró, em Cabo Frio, vi uma menina de 12 anos brincando na água com um saco de supermercado. Estava carregando-o cheio de água para fora do mar e qual não foi a minha surpresa ao vê-la largar o saco na areia. A mãe chamou sua atenção e ela prontamente pegou o saco e o carregou por mais um metro, largando-o novamente. Neste momento, passava um casal que viu a cena assim como eu e, expressando uma careta de reprovação, não foi capaz de desviar um passo sequer de sua rota de caminhada para pegar o tal saco. Eu mesma me encarreguei de pegá-lo e acomodá-lo numa lata de lixo próxima, sob o olhar perplexo de algumas pessoas que acompanharam toda a movimentação e também nada fizeram.

Me espanta que não haja perplexidade diante da cena de uma menina largando o saco no meio da praia e que, aos 12 anos, ainda não tem qualquer noção de limpeza, cuidado e saúde.

Algumas atitudes podem ser adotadas por nós que desejamos viver de forma mais harmoniosa e saudável com a natureza e com o próximo. Por exemplo: quando você vir alguém jogando lixo na calçada, na rua ou nas areias, delicadamente avise àquele cidadão que ele "deixou" algo cair. Mostre que o "mico" quem paga é quem suja e não você que limpa e que cuida. O lixo dos outros passa a ser nosso lixo também - especialmente quando fechamos os nossos olhos para a nossa responsabilidade.

Maria Beatriz Whitaker Penteado 

 
biapenteado@uol.com.br

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