Rio de Janeiro, 06 de Novembro de 2026

Luxo no lixo

Terça, 11 de Março de 2008 às 15:47, por: CdB

Uma das coisas que tem me tirado do sério ultimamente é a visão do inferno que me é apresentada quando passeio pelas praias do Rio de Janeiro, de Cabo Frio e de Búzios, mais precisamente no final da tarde. Claro que não me refiro à beleza da natureza das praias - o que seria uma heresia, além de ser uma injustiça absoluta. Eu diria que a mãe natureza foi generosa, primorosa e absolutamente perfeita. São praias de uma beleza ímpar e, em sua grande maioria, pequenos paraísos tropicais, mas que infelizmente são freqüentados por alguns trogloditas mal educados, famintos e inconseqüentes, ávidos por consumir, depredar e tornar infreqüentáveis esses mesmos paraísos.

A visão do inferno a que me refiro é o mar de latas, copos de plástico, canudos, cacos de vidro, palitinhos, papéis de todas as categorias, guimbas de cigarro, tampas de garrafa, pedaços de jornal e uma infinidade de cacarecos inomináveis,  que se amontoam nas brancas areias onde pisamos com os nossos pés - sem proteção alguma, diga-se de passagem. O pior é que as mesmas pessoas que freqüentam estas praias, permanecem nestas areias imundas, como se nada estivesse acontecendo. E quando resolvem ir embora, deixam a praia assim para as próximas vítimas que, como por encanto  e assolados por uma estranha cegueira, parecem não se importar com o que vêem. E o estranho ritual continua: novas pessoas sentam na areia, ou em suas cadeiras e cangas limpinhas, bem ali: no meio do lixo.

Preciso usar a coluna desta semana como um desabafo e como um pedido urgente: pessoas, acordem! Não é mais possível tolerar este comportamento. Eu não agüento mais e acredito que você, que está lendo esta coluna, também não. Como é possível aceitar passivamente tamanho descaso com as nossas praias, nossa cidade, nosso planeta, com a nossa vida? Será que é normal vivermos assim, deixando a culpa para os governos? E a nossa parte? Quando será que vamos acordar e perceber, que é a nossa vida que corre perigo? Porque não fazemos a nossa parte, levando o lixo que consumimos para uma lata de lixo (que existe nas praias, há um monte delas espalhadas por toda a orla)? Mesmo se não existissem essas latas, porque não levar o lixo que produzimos para o lixo de nossas casas? O planeta dá sinais claros das conseqüências do nosso descaso. O que mais falta?

Maria Beatriz Whitaker Penteado 

 
biapenteado@uol.com.br

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