Rio de Janeiro, 14 de Agosto de 2026

Luta pela mudança política é fortalecida no mundo árabe

Sábado, 12 de Fevereiro de 2011 às 12:31, por: CdB

Após a renúncia de Hosni Mubarak, a atenção internacional volta os olhos para os outros países do mundo árabe. Na Argélia, milhares de pessoas saíram em passeata pelas ruas, apesar da proibição de manifestações que impera no país.

Grupos de oposição esperam que a queda do presidente egípcio desencadeie uma cadeia de destituição de governantes tiranos em toda a região, entre outros a de Abdelaziz Bouteflika, que governa a Argélia desde 1999.

Cansados da repressão

A passeata organizada pelos adversários do regime em Argel foi sufocada, sem maiores resistências, por forças de segurança. Somente 10 mil manifestantes, segundo os organizadores, tiveram coragem de enfrentar os 30 mil policiais armados até os dentes nas ruas da cidade.

Bildunterschrift: Manifestantes nas ruas de Argel, apesar da proibição de passeata

Diversos intelectuais e personalidades ligadas ao mundo acadêmico declararam apoio à aliança pela mudança e democracia no país. A mídia local relata grande número de greves todos os dias. "As pessoas não querem mais repressão e exigem seus direitos", comentou o ativista dos direitos humanos Khelil Abdelmoumen.

Lembrança da guerra civil

Nas ruas de Argel, neste sábado (12/02), contudo, quem demonstrou poder, de fato, foram as forças de segurança, com presença maciça na cidade. A passeata organizada pela oposição não pôde sair da Praça 1° de Maio, como previsto. Quem tentava furar o bloqueio era atacado com cacetetes, o que fez com que pouca gente se atrevesse a se opor ao aparato policial.

"Quase ninguém na Argélia quer que haja de novo caos, violência e destruição", comenta Alexander Knipperts, da Fundação Friedrich-Naumann-Stiftung no país. As lembranças da guerra civil nos anos 1990 ainda estão vivas na memória daqueles que presenciaram o conflito entre grupos islâmicos e defensores do governo, que custou a vida de mais de 150 mil argelinos.

O papel de Bouteflika na introdução da paz no país é visto com reconhecimento por parte da população. Entre as reivincações populares estão, contudo, o fim do estado de emergência, em vigor há 19 anos, e mais direitos para a oposição. Nem mesmo especialistas arriscam prognósticos sobre uma possível mudança de governo também no país.

"Ontem, manifestar. Hoje, construir"

No Egito, as comemorações com a renúncia de Mubarak perpetuaram-se no decorrer deste sábado (12/02), especialmente na Praça Tahrir, no Cairo, que se tornou símbolo dos movimentos de protesto. Parte da população retomou sua rotina, sendo que em camisetas nas ruas podiam ser lidos os dizeres: "Ontem fui um manifestante, hoje reconstruo o Egito".

Bildunterschrift: Resquícios dos longos protestos nas ruas do Cairo

Os jornais locais, estampando manchetes a respeito da "revolução da juventude, que forçou a renúncia de Mubarak", foram vendidos em grandes quantidades, sendo vistos como verdadeiros souvenirs em memória de um fato histórico.

Estado de alerta

Aos poucos, o país tenta recobrar a normalidade do cotidiano, após os tumultos dos últimos dias, que deixaram pelo menos 300 mortos. Os mentores dos protestos aconselham, todavia, um estado geral de alerta, apontando que os militares terão que suspender o estado de emergência com a ajuda do qual Mubarak manipulou a oposição durante décadas.

Além disso, a oposição exige a dissolução do atual Parlamento, escolhido em eleições de critérios duvidosos. O governo do Egito fica nas mãos das Forças Armadas até a realização de novo pleito.

"Depois de Mubarak, a vez de Ali"

No Iêmen, onde o presidente Ali Abdallah Saleh governa há nada menos que 32 anos, aproximadamente 2 mil pessoas foram às ruas da capital Sanaa, gritando palavras de ordem como "depois de Mubarak, é a vez de Ali".

Os manifestantes foram atacados com cacetetes e facas por simpatizantes do governo, quando tentaram se aproximar da Praça Tahrir, localizada no centro de Sanaa. A polícia não conseguiu contornar o duelo entre opositores e defensores do governo.  Saleh havia anunciado no início deste mês que não pretende se manter no cargo após o fim deste mandato.

SV/dpa/ap/afp/rtr

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