Rio de Janeiro, 07 de Setembro de 2026

Luta antimanicomial

Sexta, 27 de Maio de 2011 às 05:55, por: CdB

Quando as extremosas madres-teresas-de-calcutá se manifestam, são apenas a voz do dono

 27/05/2011

 

Alipio Freire

 

A data 18 de maio é o Dia Nacional de Luta Antimanicomial. A grande mídia comercial preparou suas baterias e partiu para o bombardeio.

De repente, figuras entusiastas da robotização – a nova tecnologia implantada a partir do final dos anos de 1970, produzindo milhões de desempregos; entusiastas do Estado Mínimo, que desmontou todos os serviços públicos simultaneamente ao crescimento das demissões de trabalhadores; entusiastas das políticas de privatização (inclusive do SUS) acompanhadas das medidas de “higienização” dos sucessivos governos dem-tucanos de São Paulo; não mais que de repente, essas figuras assumem ares de Nossa-Senhora-da-Piedade e vêm a público em defesa da “mendicância” (sic), e da saúde mental dos homens e mulheres de rua que vivem na Cracolândia, e “que vagam pela cidade como zumbis”, resultado da “desídia do estado brasileiro”.

Resumindo: quando as extremosas madres-teresas-de-calcutá se manifestam, são apenas a voz do dono: as máfias que pretendem privatizar os serviços de saúde mental. A aparente solidariedade com os mais pobres, ou com os “diferenciados”, é puro cinismo, estratégia de marketing para nos vender, logo ali na frente, sua solução mágica: mais privataria.

A luta antimanicomial, ao contrário do que pretendem seus detratores, não descarta casos que exijam internamento, e batalha exatamente por uma desmanicomização acompanhada permanentemente por profissionais da saúde mental, através dos serviços públicos (inclusive medicamentos gratuitos). 

Enquanto isso, em outro lugar...

Onde? – Câmara Federal.

Quem? – Os deputados Aldo Rebelo (PCdoB) e Cândido Vacarezza (PT).

O que? – Tentam falsificar o texto do Código Florestal.

Para que? – Para favorecer os ruralistas.

A exemplo de quê? – A exemplo do que fez o hoje ministro da Defesa, doutor Nelson Jobim, com o texto da nossa Constituição.

Como é o nome disto? Bater carteira; passar conto-do-vigário.

Conseguiram? – Não. O líder do PT na Câmara, deputado Paulo Teixeira, descobriu a tempo e botou pra quebrar.

 


Artigo originalmente publicado na edição impressa 429 do Brasil

Tags:
Edições digital e impressa