O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou, nesta terça-feira, em São Bernardo do Campo (SP), a fábrica da Volkswagen. No início da manhã, ele participou de reunião com representantes do Sindicato dos Metalúrgicos da Alemanha, da diretoria da Volkswagen e do Comitê Mundial dos Trabalhadores da montadora. Em seu discurso, durante o encontro, Lula criticou o ataque de Israel a navios que levavam ajuda humanitária à Faixa de Gaza e que matou pelo menos dez pessoas. Ele disse ter informações de que o bombardeio foi feito em águas internacionais e que, por isso, Israel não tinha o direito de fazer o que fez. Acrescentou que espera mais investigações sobre o caso.
– Eu, sinceramente, estou convencido de que não é o uso de armas que vai garantir a paz. O que vai garantir é muito diálogo e muito investimento em alimentos para acabar com a fome no mundo. Eu acho que os dirigentes precisam aprender a dialogar mais – afirmou.
Durante a visita à fábrica da VW, o presidente comentou o corte no Orçamento deste ano. Ele lembrou que não foi só a educação que sofreu contingenciamento, mas todas as pastas.
– Tivemos o corte, porque o momento exige que o façamos. Isso não implica redução de nenhum centavo do investimento na área porque ainda temos sete meses até vencer o ano. Nós trabalhamos com a possibilidade de que a arrecadação vai melhorar – acrescentou.
Em seguida, o presidente sobrevoou as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Habitação e Saneamento no Parque Heliópolis. De lá, seguiu para o Clube Atlético Juventus onde participou da formatura de 1.592 alunos do Programa Próximo Passo (antigo Planseq), que receberam formação profissional na área de construção civil. Estiveram presentes à cerimônia os ministros do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Márcia Lopes.
Conclat
Enquanto o presidente Lula estava em São Paulo, trabalhadores ligados a cinco centrais sindicais - CUT, Força Sindical, CTB, Nova Central e CGTB - reuniram-se na capital paulista para aprovar um documento único a ser entregue aos pré-candidatos à Presidência da República. Entre as propostas estão redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais; legislação para inibir as demissões em massa, nos moldes da convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT); e assento para trabalhadores e empresários no Conselho Monetário Nacional, órgão que estabelece a política monetária no país.
A previsão das centrais é reunir na Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat) cerca de 30 mil pessoas de todo o país no Estádio do Pacaembu. O evento está marcado para as 10h e deve discutir o documento intitulado "Agenda da Classe Trabalhadora". Será a primeira reunião das centrais desde 1981, segundo os sindicalistas. A primeira Conclat ocorreu em agosto de 1981 na Praia Grande (SP) e reuniu cerca de 5 mil pessoas.
A Força Sindical informou que deve levar ao evento 12 mil trabalhadores e sindicalistas. A entidade negou que se trate de um evento em prol de candidaturas específicas, embora o presidente da entidade, o deputado federal Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, tenha se manifestado a favor da candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff (PT).
– O mais importante desse evento é que conseguimos fazê-lo (juntar as centrais). Discutimos um documento único que amanhã será aperfeiçoado com propostas de governo que queremos entregar para os candidatos. (...) Na Força Sindical, a maioria dos militantes vai apoiar a Dilma. Mas das nove pessoas que vão falar [no evento], duas são do PSDB. A Força não vai decidir apoiar ninguém. Mas particularmente as pessoas vão apoiar, individualmente – afirmou o deputado e presidente da Força.
A Central Única de Trabalhadores (CUT), ao contrário da Força, afirmou que o posicionamento político da entidade não será escondido no evento.
– Na CUT fizemos esse debate e ainda não nos posicionamos porque as candidaturas não são oficiais. Nosso objetivo é impedir o retrocesso, que para a CUT é o retorno do PSDB, DEM e PPS. Impedir o retrocesso e a falta de diálogo com o movimento sindical, como o que vimos nos oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso. (...) A CUT tem uma visão muito clara, de que é preciso manter a independência das centrais e por isso queremos intervir nas eleições. O pior a fazer é ficar em cima do muro – afirmou o presidente da CUT, Arthur Henrique Silva.
O presidente da CUT disse ainda que, apesar do posicionamento, todos os candidatos receberão a agenda dos trabalhadores. Ele afirmou que ainda não foi definido quando, mas a entrega deve ocorrer individualmente aos candidatos após oficialização das candidaturas nas convenções partidárias.
– Estamos fazendo um documento do conjunto das centrais, que terá que ser apresentado a todas as candidaturas quando forem oficializadas. (...) Vamos votar um documento que aponta as principais bandeiras de luta, de mobilização, que o conjunto do movimento sindical considera importante não só para as eleições. Tem um principal elemento que é ser uma pauta, uma agenda que vai servir para pressionar o próximo governo para continuar o processo que está acontecendo – acrescentou.
De acordo com Arhur Henrique, o documento foi feito após resoluções aprovadas em cada uma das centrais em seus congressos. Nos últimos três meses, o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) juntou as informações e coordenou reuniões entre os representantes das centrais.
Cepal
À tarde, o presidente Lula voltou a Brasília, onde proferiu uma palestra no encerramento do seminário sobre o Estado, a Política e os Pactos Sociais. O evento faz parte do 33º Período de Sessões da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), que começou no domingo.
Realizada a cada dois anos, a reunião é a mais alta instância de debates da Cepal. Nos três dias de trabalho, delegações de mais de 50 países, acadêmicos e representantes de organizações não governamentais (ONGs) e de agências internacionais especializadas estão debatendo a estabilidade macroeconômica, a dimensão socioambiental do desenvolvimento e as políticas de inclusão social e de geração de empregos na região, entre outros temas.