Rio de Janeiro, 02 de Abril de 2026

Lula vistoria plataforma com alto índice de nacionalização

A plataforma P-51, visitada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira, é a primeira plataforma do tipo semi-submersível a ser construída integralmente no país. (Leia Mais)

Quinta, 03 de Agosto de 2006 às 09:21, por: CdB

A plataforma P-51, visitada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quinta-feira, é a primeira plataforma do tipo semi-submersível a ser construída integralmente no país. O índice de nacionalização (ou seja de equipamentos e serviços nacionais usados na construção) deve atingir 69%;em média. A unidade vai operar no campo de Malin Sul, na Bacia de Campos, com entrada em operação prevista para fevereiro de 2008, quando produzirá a plena carga 180 mil barris de petróleo por dia alem de comprimir 6 milhões de metros cúbicos de gás natural. A unidade está custando US$ 845 milhões.

O presidente também vistoriou as obras da P-52, que produzirá os mesmos 180 mil barris de petróleo por dia, mas entrará em operação um ano antes: início de 2007.

Bons números

Os números não deixam dúvidas: a indústria naval brasileira passa por um período de franca recuperação. Depois de viver o seu período de ouro nas décadas de 70 e 80, o setor naval entrou em crise na década seguinte e a falta de encomendas quase torna esse processo irreversível. Com a expansão significativa da atividade de petróleo no país, no entanto, o quadro vem mudando ano a ano e o setor volta a respirar ventos favoráveis e a ver aumentada significativamente a sua participação na economia brasileira.

Depois de chegar ao final da década de 90, empregando apenas 500 pessoas, o setor naval hoje já chega a responder por cerca de 25 mil empregos diretos. Nesse período, foram reabertos ou revitalizados 19 estaleiros e a carteira de encomendas do setor saltou dos US$ 50 milhões para mais de US$ 4 bilhões, entre 1999 e 2006. Esse impulso significativo foi dado pelas encomendas de plataforma e embarcações de apoio à atividade de petróleo em águas profundas, principalmente para a Petrobras.

Para o professor de Engenharia Naval da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), Floriano Pires, foi o setor offshore que viabilizou a manutenção da industria naval brasileira nos últimos anos.

"As encomendas das unidades de apoio e das plataformas, principalmente a partir do final da década de 90 para cá, permitiu não só esta recuperação, mas também a manutenção da atividade de engenharia naval no país".

Investimentos

A construção das plataformas P-51 e P-52, encomendadas pela Petrobras, envolve investimentos de US$ 1,84 bilhão e gera cerca de 20 mil empregos diretos e indiretos. O canteiro de obras do estaleiro Brasfels, em Angra dos Reis, no litoral sul do Rio, onde as unidades estão sendo construídas, será visitado hoje às 10 horas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Quando entrarem em operação, as novas plataformas acrescentarão à produção nacional cerca de 360 mil barris de petróleo por dia, contribuindo para a garantia da auto-suficiência nacional. As duas unidades serão instaladas na Bacia de Campos, a maior província petrolífera do país, localizada no norte fluminense e que hoje já responde por mais de 80% de toda a produção nacional de óleo.

Do tipo semi-submersíveis, as plataformas vão operar em águas profundas. A P-51, que está sendo construída ao custo de US$ 845 milhões e gera 2.500 empregos diretos e 7.500 indiretos, irá operar no Campo de Marlim Sul, terá capacidade de produção de 180 mil barris por dia, comprimindo 6 milhões de metros cúbicos de gás e injetando 280 mil barris de água por dia.  A entrada em operação está prevista para fevereiro de 2008.

A P-52, cujos investimentos totalizam US$ 1 bilhão, entrará em produção em fevereiro do ano que vem.  A unidade será instalada no Campo de Roncador, terá a mesma capacidade da P-51 e gera o mesmo número de empregos diretos e indiretos.

De acordo com a Petrobras, a construção da P-52 constitui um marco para o país, na medida em que deixa claro o compromisso da empresa com o aumento da nacionalização das obras contratadas.

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