O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, no Palácio do Planalto, nesta quarta-feira, o ministro Álvaro Ribeiro Costa, da Advocacia-Geral da União. Ele chegou na madrugada de hoje a Brasília, depois de participar em Caracas, na Venezuela, da assinatura do protocolo de adesão do país ao Mercosul. Durante toda a tarde, manteve apenas reuniões de trabalho com o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, com o ministro Luiz Dulci, da Secretaria-Geral da Presidência da República, e com o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Lula estabelece, junto aos seus colaboradores mais próximos, as rotinas de campanha que terá doravante que seguir na disputa à reeleição.
Uma das primeiras decisões do grupo de coordenadores políticos do presidente deteve-se na forma como ocorrerão as suas viagens como candidato, nos finais de semana. Lula viajará no avião presidencial, mas os custos serão pagos pelo comitê de campanha do PT. Ele repete o ato do então presidente Fernando Henrique Cardoso quando concorreu à reeleição, em 1998. Os deslocamentos do tucano também foram feitos no avião presidencial, com os gastos cobertos pelo partido.
Alvo certo
Um roteiro que já marcado na agenda do candidato petista é a Bahia. O Estado representa para o presidente, segundo assessores de campanha, o seu alvo principal nesta campanha, com importância política destacada pela presença de seu maior adversário político no Nordeste: o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). O pefelista, em qualquer oportunidade pública, tem taxado o presidente de "ladrão", seja qual for a platéia.
O prestígio eleitoral de Lula no Estado é inconteste, segundo as pesquisas que o colocam com cerca de 60% das intenções de votos. Patamar semelhante teve o petista no segundo turno das eleições de 2002, quanto obteve na Bahia 65,7% dos votos, ou quase o dobro da votação do adversário na época, o tucano José Serra (34,3%). Os números animam o petista a buscar animar a campanha do ex-ministro Jaques Wagner, candidato ao governo estadual. Wagner disputa o governo baiano com Paulo Souto (PFL), do grupo de ACM. Em 2002, Wagner perdeu para Souto ainda no primeiro turno e a situação não mudou muito desde então.
Pesquisas eleitorais realizadas na Bahia atribuem a Souto um número total de votos suficiente para que seja reeleito em primeiro turno novamente. Lula acredita, porém, que Wagner tem condições mais favoráveis este ano do que em 2002. Nesta campanha, Wagner segue embalado pela aliança que reuniu todos os partidos contrários ao PFL baiano. Além do PT e do PCdoB, o PMDB, o PSB, o PTB e o PMN integram a aliança.