O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai procurar o colega dos Estados Unidos, Barack Obama, na semana que vem, para pedir ajuda ao governo deposto de Honduras e mais diálogo com os países da região sobre o avanço militar na Colômbia. O presidente brasileiro, segundo disse um assessor que pediu anonimato, não aprovou a forma pela qual ocorreram as negociações para o aumento do efetivo militar norte-americano em território colombiano. Diversas nações sul-americanas criticaram o acordo e seu potencial risco à soberania da região.
Lula pretende falar com Obama por telefone e o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, já mobilizou o Itamaraty para realizar o contato telefônico entre ele e Obama, por intermédio da secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton. A Colômbia anunciou na quarta-feira que espera acertar neste fim de semana o acordo militar com os Estados Unidos, que permitirá o uso de bases em território colombiano por soldados norte-americanos para operações contra o narcotráfico.
Honduras, outro assunto espinhoso, também está na pauta. O presidente brasileiro defenderá junto a Obama, com quem tem muito boas relações, mais pressão para promover o retorno do presidente eleito, Manuel Zelaya, ao posto de chefe de Estado. Deposto por um golpe militar no final de junho por tentar viabilizar um segundo mandato – ato que fere a Constituição do país – Zelaya esteve no Brasil na véspera e pediu a Lula sua interferência para ajudar a convencer os EUA a aumentar o cerco sobre o governo interino.
De acordo com a fonte, ele teria feito um apelo também para que o mandatário brasileiro atue junto à Organização dos Estados Americanos (OEA) para que o órgão edite uma resolução garantindo que não reconhecerá nenhum novo presidente hondurenho que seja eleito pelas mãos do governo interino. As eleições em Honduras ocorrem em novembro.