O presidente Luis Inácio Lula da Silva visitou, nesta sexta-feira, três favelas do Rio que serão atendidas pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e que representará um um investimento de R$ 1,14 bilhão, vão gerar 4.600 empregos diretos e prometem ser um divisor de águas na relação que essas comunidades têm com o resto da cidade.
Protegidos por um fortíssimo esquema de segurança, que incluiu dois meses de infiltração da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) nos morros cariocas, o presidente e a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, subiram em palanques montados em comunidades dominadas pelo tráfico de drogas ao lado do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB).
Atiradores de elite foram posicionados ao redor do palco. As ruas do entorno foram interditadas para carros e pedestres, e o público posicionado a uma distância de cerca de 100 metros do palco.
Em entrevista ao diário carioca Extra, Lula disse na última quinta-feira, que as obras são fundamentais para acabar com a ausência do Estado nessas regiões carentes e afirmou também que combaterá o crime com a força necessária para não atingir a população e aumentar a violência.
- Com este programa, nós vamos dar uma atenção especial às crianças e aos jovens, fundamentais para continuarmos construindo um Brasil com mais desenvolvimento e justiça social - disse o presidente.
Os projetos incluem abertura e alargamento de ruas, instalação de redes de água e esgoto, construção de postos de saúde, escolas, creches e praças. Até um teleférico vai ser construído para ligar os moradores do Alemão a outros meios de transporte. Mas apesar das melhorias, os moradores aguardam as obras com sentimentos antagônicos de euforia e medo. Ao redor do Complexo do Alemão, faixas com a frase “PAC sim, violência não” mostram o que a comunidade pensa sobre o assunto.Com roupas, bandeiras e balões brancos, os moradores do Alemão carregam faixas de apoio às obras do PAC, mas pedem que não haja uso da força policial.
Segundo a associação de moradores do complexo, esta é a primeira visita oficial de um presidente ao conjunto de favelas.
A assessoria da Presidência não informou o horário que Lula chegará ao complexo.
Considerada uma das áreas mais violentas da cidade, o Alemão – um conjunto de 13 favelas, com 95 mil pessoas – tem sido palco freqüente de tiroteios, mortes e casos de balas perdidas. O temor dos moradores é de que haja uma invasão maciça de policiais para dar garantia às obras, o que poderia gerar novos conflitos, como ocorreu em junho do ano passado, quando 19 suspeitos de ligação com o tráfico foram mortos pela polícia.
A favela Nova Brasília é um retrato desta situação de contrastes. Cercada há meses pela Força Nacional de Segurança, que fica na entrada da comunidade, seus moradores demonstram apoio às obras, mas convivem diariamente com o tráfico de drogas, que impõe regras e limites. A 50 metros dos soldados da Força Nacional, trilhos de aço bloqueiam a rua Nova Brasília, principal via de acesso, como forma de dificultar ataques de facções rivais e da polícia.
As kombis que levam os moradores têm que parar, um ajudante retira os trilhos e torna a colocá-los depois que o veículo passa. Pouco além, é possível ver traficantes armados, todos jovens, controlando de longe o movimento e protegendo as bocas de fumo.
Tudo isso deixa apreensivo o presidente da Associação de Moradores de Nova Brasília, Edmar Lopes, que teme um “banho de sangue” se houver um confronto generalizado.
- Aqui a gente precisa muito de PAC. Mas se é para vir com um rio de sangue, destruindo os moradores com guerra, eu acho que não vai resolver nada.
Lopes diz que o maior desafio do PAC será dar oportunidades de inclusão e lazer para os jovens, como alternativa ao tráfico de drogas.
- Adolescente é o que mais tem na nossa comunidade. Mas onde eles vivem não tem nenhum local para joga