O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em seu programa semanal de rádio, disse nesta segunda-feira que a criação da União Sul-americana de Nações (Unasul) muda a geopolítica da América do Sul, tornando os países-membros “mais fortes e mais soberanos”. Para Lula, o feito representa a realização de um sonho.
– Parecia uma coisa impossível porque aqui, na América do Sul, fomos doutrinados para acreditar que não daríamos certo em nada, que somos pobres, que brigamos muito e que temos que depender dos Estados Unidos e da União Européia – afirmou.
Chefes de Estado sul-americanos, reunidos na última sexta-feira, em Brasília, para uma reunião de cúpula extraordinária da Unasul, declararam a completa independência e soberania da região perante os principais blocos econômicos e militares do Ocidente. O marco legal já havia sido estabelecido pela diplomacia dos países envolvidos e os últimos detalhes foram definidos em maio.
No programa Café com o Presidente, Lula ressaltou que a Unasul vai facilitar negociações com outros blocos, além de possibilitar a construção de ferrovias, rodovias, pontes e linhas de transmissão.
– Acho que foi a realização de um sonho. Mas ainda vamos ter que trabalhar muito para consolidar as coisas práticas – disse o presidente.
Diante do ceticismo por parte da Colômbia e da possibilidade de que a Unasul fique apenas no papel, Lula se mostrou otimista e reforçou que a América do Sul apresenta um quadro de “evolução extraordinária”. Para ele, é preciso que o Brasil invista em países como Paraguai, Uruguai e Bolívia – nações consideradas “economicamente mais frágeis”.
– Temos obrigação de ajudá-los porque, quanto mais forte economicamente forem os países da América do Sul, mais tranquilidade, paz, democracia, comércio, empresas, empregos, renda e desenvolvimento – ponderou.
Lula reconheceu que "na verdade muita coisa ainda não se concretizou" e lembrou que outras iniciativas estão em andamento, como o Banco da América do Sul.
– Vamos caminhar para, no futuro, termos um Banco Central único e moeda única. Isso é um processo, não é uma coisa rápida – previu.
Quanto à proposta brasileira de criação de um Conselho Nacional de Defesa Sul-americano, rejeitada pelo dirigente colombiano, Álvaro Uribe, Lula acredita que, caso o Brasil possa “elaborar melhor a proposta e tirar algumas convergências” nos próximos 90 dias, a idéia poderá ser aprovada.
– A verdade é que, dos doze países, apenas a Colômbia colocou objeção. Depois, conversei com o presidente Uribe (da Colômbia). Vamos voltar a conversar. Estou viajando à Colômbia no dia 20 de julho. E acho que as coisas vão se acertar – acrescentou.
A proposta será analisada nos próximos 90 dias por um grupo de trabalho da Unasul. A iniciativa foi anunciada pela presidente do Chile, Michelle Bachelet, na última sexta-feira, em coletiva no Palácio do Itamaraty.