Rio de Janeiro, 04 de Outubro de 2026

Lula trata Olimpíadas de 2016 como assunto de Estado

Sexta, 03 de Abril de 2009 às 09:59, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, na manhã desta sexta-feira, ainda em Londres, pouco antes de embarcar de volta para o Brasil, que a candidatura do Rio de Janeiro como sede das Olimpíadas de 2016 será tratada como um assunto de Estado pelo governo brasileiro. Ele fez a afirmação ao visitar as obras do Parque Olímpico de Stratford, área leste da capital inglesa, que vai sediar os Jogos Olímpicos de 2012. De acordo com Lula, os recursos para preparar a cidade para o evento podem sair dos bancos públicos federais.

Lula afirmou que, em conjunto com o governo estadual e a prefeitura do Rio, vai “assumir a realização da Olimpíada como compromisso do Estado brasileiro”. Acrescentou que a verba para construção de um futuro complexo esportivo pode sair do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.

Ele disse também que, pela característica geográfica, a América do Sul deve sediar a competição esportiva.

– Os Jogos Olímpicos não podem ser privilégio apenas do que eles consideram o mundo desenvolvido. A Olimpíada é um momento esportivo sem precedência na história do mundo e a América Latina, e sobretudo a América do Sul, tem o direito de sediar uma Olimpíada, sobretudo o Brasil, que tem mais de quinze mil quilômetros de fronteiras com países da América do Sul – afirmou.

O objetivo da visita de Lula ao Parque Olímpico de Stratford foi conferir o andamento das obras que começaram em julho do ano passado e podem servir de modelo para que o Rio de Janeiro sedie as Olimpíadas de 2016. O Rio de Janeiro é uma das cidades que estão na disputa para ser sede dos Jogos Olímpicos de 2016. As outras candidatas são Chicago (Estados Unidos), Tóquio (Japão) e Madri (Espanha).

Durante a visita ao canteiro de obras do Parque Olímpico em Stratford, Lula estava acompanhado do ministro do Esporte, Orlando Silva, do presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Artur Nuzman, do governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, e do prefeito da cidade, Eduardo Paes.

Bons resultados

Na noite anterior, em conversa com jornalistas, Lula disse que considerou positiva a reunião do G20, na véspera, que decidiu entre outras medidas criar um fundo de socorro à economia mundial de US$ 1,1 trilhão. Satisfeito com o resultado do encontro, Lula comemorou o documento final assinado pelos líderes.

– Nós vivemos hoje um momento muito importante na história do mundo. Eu estou participando há seis anos de reuniões de chefes de Estado e há muito tempo, vínhamos tentando construir alguma coisa que pudesse significar uma maior harmonia e um maior entendimento entre os países – afirmou.

De acordo com Lula, a reunião foi marcada pela participação dos chefes de Estado e de governo sem qualquer diferença entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.

– Foi a primeira reunião que eu participei em que os chamados países desenvolvidos estavam em igualdade de condições com os países em desenvolvimento. Nessa reunião, não havia ninguém que sabia absolutamente de tudo, como se nós não soubéssemos de nada – disse.

Diante da decisão do G20, de que países antes considerados pobres passem agora a poder emprestar dinheiro, por meio do Fundo Monetário Internacional (FMI), para os que estão afetados pela crise mundial, o presidente brasileiro considerou como “chique, soberano, o Brasil emprestar dinheiro para o FMI”.

Lula afirmou ainda que “gostaria de entrar para a história como o presidente que emprestou algum dinheiro para o fundo (FMI)”. O presidente admitiu que o país tem condições de fazer o empréstimo, mas que só vai divulgar o valor quando retornar ao Brasil. O presidente da República disse ainda que foi um êxito o avanço no combate aos paraísos fiscais e um maior controle do sistema financeiro internacional, metas contidas no documento do G20.

– Todo mundo se convenceu de que é preciso que haja uma regulação do sistema financeiro mundial para que ele esteja mais voltado ao setor produtivo e menos ao setor especulativo. Também todo mundo se colocou de acordo de que não é possível a coexistência de um mundo moral e ético, um mundo desenvolvimentista, um mundo produtivo com os paraísos fiscais que, no fundo, são por onde se lava o dinheiro do narcotráfico, do crime organizado – afirmou

O anúncio do fim do protecionismo, outro compromisso assumido pelos países que detêm 80% da riqueza do mundo, também foi comemorado pelo presidente Lula.

– Uma coisa que eu venho tentando há quatro anos, aconteceu hoje. Ou seja, passar a discussão da Rodada Doha para os líderes políticos e não mais para os técnicos – concluiu.

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