Nem a ombudswoman da Folha, Suzana Singer, aguentou tantas futricas e intrigas para jogar Dilma Rousseff contra Lula
Ex-presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva teria recomendado à presidenta Dilma Rousseff que aproveite, o quanto antes, o tempo que lhe resta na pré-campanha, antes que seus adversários se lancem à disputa do cargo que ela ocupa, atualmente. A notícia foi veiculada nesta terça-feira no diário setorizado Valor Econômico, de propriedade das Organizações Globo e Folha da Manhã, dois dos maiores conglomerados de comunicação do país. A matéria, que leva a assinatura do repórter Raymundo Costa, não cita uma fonte definida, mas garante que Lula disse a Dilma "que ela deve tomar a frente da campanha da reeleição, ao contrário do que aconteceu em 2010, quando ele esteve no comando".
– Olha, na outra eleição, quem não te conhecia, quem tinha dúvida de votar em você, eu dizia 'pode confiar, pode votar que eu confio'. Agora, quatro anos depois, você é conhecida, você é quem vai ter que convencer as pessoas a votar em você. E você é quem vai ter que defender o governo. Depois sou eu e depois é o PT – acrescentou Lula, segundo o jornalista diz ter apurado, sem dizer onde e nem revelar a identidade de seu interlocutor.
Novamente, Costa afirma que Lula teria recomendado a Dilma "tirar o maior proveito possível da pré-campanha".
"O ex-presidente disse para a presidente sair do Palácio, inaugurar obras e conversar muito, porque agora cabe a ela comandar a própria campanha. É certo que Lula se considera o principal cabo eleitoral de Dilma e deve dividir com ela a agenda da campanha da reeleição. A agenda política de Dilma para os próximos dois meses está definida, sujeita a ajustes de acordo com as circunstâncias eleitorais", acrescentou.
Leia, a seguir, os principais trechos da reportagem:
"A discussão do momento são as campanhas eleitorais. A presidente não participará de nenhum debate de candidatos até julho, quando começa oficialmente a o calendário eleitoral. Depois dessa data, os debates serão examinados caso a caso, mas a tendência da presidente é não comparecer à maioria deles, no primeiro turno, inclusive aqueles patrocinados pelas grandes redes de televisão.
"A proposta que o PT defende é a realização de um ou dois debates transmitidos por um 'pool' de emissoras de televisão. No formato atual, a campanha de Dilma só se dispõe a participar de debates realizados com mais de 48 horas de antecedência da eleição.
"O alvo é a TV Globo, sempre a última a realizar o confronto entre os candidatos, às vésperas da eleição, quando os partidos já não dispõem do horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão. O PT quer ganhar pelo menos mais um dia do 'guia eleitoral' para fazer sua própria edição do debate.
"O motivo da decisão é o 'trauma' com a eleição de 1989, quando, segundo o PT, a edição do último debate entre Fernando Collor e Luiz Inácio Lula da Silva teria sido feita de modo a favorecer o candidato do então PRN, hoje senador pelo PTB de Alagoas.
"Em 2010, a cadeira de Dilma ficou vazia em um dos debates a que faltou. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não participou de debates, quando disputou a reeleição. Luiz Inácio Lula da Silva foi no primeiro turno de 2006, recebeu duros ataques de Geraldo Alckmin (PSDB) e desistiu do debate na TV Globo no último minuto.
"Tudo isso é objeto de análise da campanha da presidente da República. À época, Lula estava acuado com as denúncias do caso dos 'aloprados', o grupo da copa e cozinha do ex-presidente que teria armado a confecção de um dossiê com denúncias falsas contra o candidato do PSDB ao governo de São Paulo, José Serra. Mesmo no PT há quem acredite que Lula só não venceu a eleição de 2006, no primeiro turno, por ter faltado ao último debate.
"Dilma só entra oficialmente na campanha em julho, mas deve aproveitar ao máximo, nos próximos meses, o papel de governante-candidata. 'Na realidade, todos já estão fazendo campanha', diz um integrante da coordenação da campanha da presidente. Dilma leva a vantagem do cargo. Nesta quinta-feira à noite, vai ao ar o programa partidário do PSDB. É o último que a oposição tem para mostrar seus candidatos. O programa do PSB foi em março.
"A presidente ainda tem o programa partidário do PT, a ser exibido em maio. Depois disso, ela mantém o palanque oficial de presidente da República, enquanto a oposição terá de se desdobrar para se manter na mídia - o candidato do PSB, Eduardo Campos, deixou o governo de Pernambuco, e o senador Aécio Neves (PSDB-MG) dependerá da tribuna do Senado e do êxito da CPI da Petrobras para aparecer.
"Atendendo aos conselhos de Lula, a presidente já intensificou a agenda de viagens aos Estados para cumprir uma agenda de inaugurações e fazer discursos, (...)".
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