Após mudar o plano de estratégia de governo ao assumir a respondabilidade de unir a base aliada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva espera que seu esforço seja compensado durante as polêmicas votações previstas para esta semana como a da reforma tributária. Outra votação em pauta seria a da medida provisória (MP) 232, que amplia a carga tributária para prestadores de serviço, no entanto o governo desistiu de aprová-la e, por conta disso, o contribuinte em abril voltará a pagar Imposto de Renda conforme a tabela de 2004.
O deputado Carlito Merss (PT-SC), relator da matéria, disse que seu parecer será pela rejeição integral do texto. De acordo com ele, na reunião de ontem à noite, entre líderes da base e o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, ficou evidente que o governo sofreria uma derrota se levasse a proposta adiante.
Com a rejeição da MP, o limite de isenção do IR volta para R$ 1.058, mesmo valor de 2004. O governo poderia enviar outra MP ou projeto de lei para tratar do assunto, mas o deputado disse que a estratégia ainda não está decidida.
Na noite desta segunda-feira, Lula se reuniu com dirigentes do PSB e do PL. O presidente ouviu reclamações e sugestões sobre a articulação política. Do PSB veio o elogio por ter encerrado a reforma ministerial e por ter reaberto pessoalmente o diálogo com os partidos. Enquanto Lula se encontrava com dirigentes partidários, o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo, negociava no Congresso a votação da MP 232.
Sobre o encontro com o presidente, o líder do PSB, deputado Renato Casagrande (ES), disse ter sido extremamente positivo.
- O presidente Lula colocou que vai fazer a articulação política pessoalmente. O presidente compreende que tem de fazer isso. Ele também analisou os erros do PT na escolha do presidente Severino: o PT ouviu, mas não levou em consideração. - avaliou o líder.
No encontro com o PL, a tônica também foi a da retomada do diálogo, com espaço para a promessa de liberação de recursos para o Ministério dos Transportes, comandado pelo liberal Alfredo Nascimento.
- O presidente disse que vai colocar o orçamento e fazer o PL ter sucesso. Isso é importante, porque está em jogo a capacidade do nosso ministro de realizar as coisas. Agora, se não tem o recurso, você não tem como testar nem a capacidade do partido. O que nós não podemos ficar é de ineficiente porque o Ministério da Fazenda cortou os recursos. - afirmou o líder do partido na Câmara, deputado Sandro Mabel (GO).