O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o primeiro-ministro espanhol, José Luis Rodriguez Zapatero, encontraram-se para o café da manhã, no Palácio da Alvorada. No encontro, foram discutidos temas como maior cooperação entre instituições de pesquisa científica dos dois países, as relações consulares Brasil-Espanha, comércio e investimentos, o andamento da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC), a reforma do sistema das Nações Unidas e cooperação no setor de biocombustíveis.
À tarde, Lula embarca para Lima, no Peru, para participar da 5ª Reunião de Cúpula América Latina e Caribe-União Européia (ALC-UE), que terá a presença de chefes de Estado e de Governo dos dois continentes. Antes do embarque, porém, o presidente brasileiro encontra o premiê finlandês, Matti Vanhanen, com quem vai discutir a implementação do comércio bilateral, mudanças climáticas, a cooperação na área florestal e em ciência e tecnologia, e o programa brasileiro de biocombustíveis.
Os biocombustíveis, aliás, são a grande polêmica desse encontro de cúpula. A produção do etanol e dos combustíveis alternativos à base de soja e milho e sua relação com o aumento dos preços dos alimentos será um dos principais pontos de divergência da 5ª Cúpula de Chefes de Estado da América Latina e Caribe - União Européia. O encontro começou nesta quinta-feira, em Lima, no Peru.
A previsão é de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentará convencer os chefes de Estado das regiões envolvidas de que o etanol à base de cana-de-açúcar não é o responsável pela recente crise de segurança alimentar que provocou protestos em diferentes partes do mundo. Alguns analistas, entretanto, acreditam que a tarefa de Lula não será tão simples.
- O que entrará em debate não é somente a origem do etanol brasileiro e sim o modelo de produção de biocombustíveis como um todo e sua real ameaça à produção de alimentos. Não sei o que fará Lula para convencer seus colegas, mas certamente enfrentará muita oposição - afirma Ernesto Velit, analista político da Universidade Ricardo Palma, em Lima.
Do lado latino-americano, as críticas à produção de biocombustíveis têm origem, inclusive, em governos com modelos opostos de desenvolvimento. O presidente do Peru, Alan Garcia, e o presidente da Bolívia, Evo Morales – que divergem sobre um tratado comercial com a União Européia – concordam que a produção dos biocombustíveis ameaça as áreas destinadas à produção de alimentos.
Para o analista político peruano Alejandro Deustua, ambos os chefes de Estado devem reorientar suas críticas. Ele avalia que, ao se atribuir a responsabilidade da inflação dos preços dos alimentos à produção de etanol, ignora-se dois aspectos "fundamentais” para ponderar a polêmica.
- É preciso considerar a especulação no mercado de alimentos que foram convertidos em commodities e não se pode descartar que há interesses políticos em gerar uma crise em torno do biocombustível. Antes de condenar, é preciso estudar e avaliar - afirma Deustua.
O presidente da comissão organizadora da Cúpula, Ricardo Vega Llona, admitiu na véspera que o tema alimentar "demandará mais esforços para se ajustar a declaração final" do encontro.