Ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e fundador da Central Única dos Trabalhadores (CUT), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem a seu lado 10 ministros oriundos do movimento sindical e pelo menos outros 50 funcionários em posições de destaque em Brasília. Há ainda vários postos importantes ocupados por sindicalistas nos Estados, como as direções das Delegacias Regionais do Trabalho, e nas estatais, a exemplo da Petrobras, comandada por José Eduardo Dutra.
"Podia ter até mais gente", afirma o presidente da CUT, Luiz Marinho. "Vejo um grande preconceito quando se fala em República de Sindicalistas. O governo nunca teve sindicalistas em postos importantes. Agora, com a chegada do Lula ao poder, é natural que isso aconteça."
O Ministério do Trabalho é dirigido pelo ex-presidente do Sindicato dos Bancários, Ricardo Berzoini, e já foi comandado pelo ex-presidente do Sindicato dos Químicos e um dos fundadores da CUT na Bahia, Jaques Wagner. Mesmo com a troca de titular no fim de 2003, a equipe é basicamente a mesma desde o início do governo Lula e tem aproximadamente 13% dos ex-sindicalistas no primeiro e segundo escalão da administração federal, segundo levantamento realizado depois de quatro meses de administração petista.
Isso sem contar as DRTs, das quais cerca de 11 são ocupadas por ex-sindicalistas. É o caso de um velho companheiro de Lula, Heiguiberto Guiba Della Bella Navarro, ex-secretário sindical do PT, delegado em São Paulo.
A maior concentração de ex-dirigentes sindicais, porém, está no Ministério da Saúde, do ex-diretor do Sindicato dos Médicos de Pernambuco, Humberto Costa. Lá estão mais de 30% dos ex-sindicalistas. Mas há pessoas ligadas ao movimento sindical em praticamente todas as áreas do governo. O ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de Minas, Tilden Santiago, é embaixador em Cuba, por exemplo.
Sebrae - O novo presidente do Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae), Paulo Okamoto, foi diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC entre 1981 e 1983, à época em que Jair Meneguelli presidiu a entidade. Desde o início do governo Lula, Meneguelli é presidente do Serviço Social da Indústria (Sesi).
Dono de um orçamento anual de cerca de R$ 850 milhões, o Sebrae está presente nos 26 Estados e no Distrito Federal. Uma entidade do "sistema S" - como Sesi e Senac -, ele recebe contribuições do empresariado e do orçamento para promover cursos, dar orientações e apoiar políticas para empresas que empregam menos de 19 pessoas e cujo faturamento anual não ultrapassa R$ 120 mil.
Okamoto receberá um salário de cerca de R$ 30 mil. Eleições para superintendentes estaduais ocorrem a cada 2 anos. Segundo o Sebrae, no fim do ano houve renovação de um terço deles. O restante foi reconduzido. Pelos dados do Sebrae, existem 4,6 milhões de pequenas e microempresas, responsáveis por 20% do PIB do País. Empregam mais de 14 milhões de pessoas diretamente.
Lula tem 10 ministros com origem no movimento sindical
Terça, 18 de Janeiro de 2005 às 19:37, por: CdB