A presença do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva foi atração no Palácio das Nações, aplaudido diversas vezes e comparado à presença na OIT, no passado, de Lech Walesa e Nelson Mandela.
É raro o que se viu na assembléia-geral da OIT, onde os discursos de Lula, um escrito e outro improvisado, foram entrecortados de aplausos, colocando-se de pé todos os presentes, ao final, representantes governamentais, sindicais e patronais, numa rara standing ovation.
Uma antiga jornalista do Palácio das Nações, comentou – igual a essa consagração, que considero histórica, só me lembro da visita de Lech Walena e de Nelson Mandela.
O discurso de Lula foi precedido de uma recepção por sindicalistas de todo mundo, na qual o presidente brasileiro se sentia à vontade e, em dado momento, surpreendeu a todos, levantando-se de sua cadeira para distribuir aos presentes uma brochura sobre a proteção dos trabalhadores na cana-de-açúcar. O que provocou o comentário de um sindicalista brasileiro – ele está com saudades da época de militante sindical.
Desfazendo mais uma vez, rumores de um terceiro mandato, o próprio Lula afirmou no seu discurso que, dentro de ano e meio, será de novo um simples cidadão.
Uma grande parte de seu discurso foi voltada à questão dos imigrantes, expulsos e rechaçados na Europa, quando aproveitou para contar que o Brasil acaba de legalizar a todos imigrantes sem papéis.
“Porque no Brasil acabamos de dar um exemplo – enquanto o mundo rico anda jogando a culpa em cim dos imigrantes, esta semana, no Brasil, foi aprovada pelo Congresso Nacional, por iniciativa do governo, a legalização de todos os emigrantes que não estavam legalizados no Brasil”
Foi justamente como um líder sindical, atentamente ouvido, que Lula denunciou os responsáveis pela atual crise, sem perder em nada seu carisma e sua linguagem coloquial e nada formal no seu discurso.
“Porque quem trabalha com papel, vendendo papel, comprando papel, sem produzir nada, um dia quebra e aconteceu. Este momento exige de empresários, de trabalhadores e do governo uma atitude mais dura, nós não podemos conviver com paraísos fiscais, nós não podemos viver com um sistema financeiro que especula papel com mais papel sem gerar um posto de trabalho, sem produzir um parafuso, um sapato, uma camisa, uma gravata. Não é possível que a gente não se dê conta de que mais de um bilhão de seres humanos ainda tem dificuldades para conseguir comer uma vez por dia”.