Rio de Janeiro, 21 de Abril de 2026

Lula sai em defesa de Palocci, que fica no cargo

Quinta, 16 de Março de 2006 às 18:31, por: CdB

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou ao governo que defenda ao ministro da Fazenda, Antonio Palocci, do que considera "ataques descabidos da oposição com objetivos eleitorais". À noite, em solenidade na Confederação Nacional da Indústria, Lula disse a jornalistas que Palocci permanece no cargo. "Fica, fica", disse lula, respondendo a um repórter que perguntara sobre a manutenção do ministro.

Lula não quer demitir Palocci nem quer que ele se demita, pois considera que isto seria uma capitulação do governo diante de denúncias que não foram comprovadas e dizem respeito ã vida pessoal, não à conduta administrativa do ministro da Fazenda, disseram dois ministros da coordenação de governo. Eles ressaltaram que o presidente reprova especialmente o fato de as novas acusações envolverem a vida pessoal de Palocci, comportamento que, segundo alegam, o PT sempre evitou em relação aos adversários políticos.

- Sempre que esse tipo de acusação esteve ao nosso alcance, nós optamos por não utilizar, mas parece que estão se esquecendo disso - comentou um ministro.

Demissão

O Planalto negou oficialmente nesta quinta que o ministro esteja demissionário e decidiu enfrentar, na Justiça, a CPI dos Bingos, principal foco de ataques ao governo no Congresso. Palocci ficou em situação delicada desde que, em entrevista publicada terça-feira pelo jornal O Estado de S. Paulo, o caseiro Francenildo Santos Costa afirmou tê-lo visto participar de festas com ex-assessores, num local que o ministro negava ter frequentado.

Numa ação combinada com o PT, Lula abriu várias frentes de defesa de Palocci. Os líderes do partido na Câmara, Henrique Fontana (RS), no Senado, Ideli Salvati (PR), o presidente do PT, Ricardo Berzoini, e o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (SP), deram declarações quase simultâneas em apoio a Palocci.

Reação

O governo comemorou a decisão do ministro Cezar Peluso, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu o depoimento de Francenildo e abriu caminho para uma contestação mais ampla das iniciativas da CPI dos Bingos, conhecida como "CPI do Fim do Mundo".

- A decisão do Supremo será fundamental para a garantia do Estado de Direito - disse o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos.

Um ministro petista acompanhou as articulações em defesa de Palocci.

- Foi uma reação à altura da ação dos adversários do governo na CPI - disse.

A cúpula do governo relaciona a retomada das acusações contra Palocci à confirmação, pela pesquisa Ibope divulgada nesta quarta-feira, de que o presidente Lula retomou os índices de aprovação e a preferência nas intenções de voto para outubro.

- Não vamos cair nas provocações nem perder o eixo político, que é a retomada do desempenho da economia e da administração - disse uma das fontes.

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