Diante da viagem a Israel, prevista para este domingo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu entrevista a um dos maiores jornais de Israel e afirmou, na edição desta sexta-feira do Haaretz, que conversou com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e deixou clara a posição do brasil quanto a dois temas recorrentes no discurso do líder iraniano. Tanto a existência do Holocausto quanto aceitar a existência do Estado judeu foram temas dessas conversas. Descrito pelo jornal como o "chefe de Estado mais popular da história" do Brasil, Lula também defendeu o Irã, criticando o radicalismo dos críticos ao país.
– Eu conversei com o presidente do Irã e deixei claro para ele que ele não pode continuar dizendo que ele quer o fim de Israel, assim como é indefensável sua negação do Holocausto – respondeu Lula ao ser perguntado se conseguiria ganhar a confiança de Israel um dos primeiros líderes internacionais a receber Ahmadinejad após sua reeleição, no ano passado.
O presidente justificou a necessidade do diálogo entre as nações do Oriente Médio ao afirmar ser preciso abrir espaço para atores que tragam novas ideias, associando a questão nuclear no Irã e o conflito entre palestinos e israelenses.
– Estes atores precisam ter acesso a todos os níveis do conflito: em Israel, na Palestina, no Irã, na Síria, na Jordânia e em muitos outros países que estão associados com o conflito. Essa é a única maneira que teremos de desenvolver a paz entre israelenses e palestinos, e, ao mesmo tempo, dizer claramente ao Irã que nós estamos contra a construção de armas nucleares – disse Lula ao jornal.
Ele reafirmou ser preciso evitar uma guerra na região:
– Os líderes com quem eu conversei acreditam que precisamos agir rapidamente, se não Israel vai atacar o Irã. Eu não quero que Israel ataque o Irã, assim como não quero que o Irã ataque Israel.