O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice José Alencar foram os primeiros a chegar à Granja do Torto para a reunião ministerial sobre a questão do Equador e a crise financeira internacional. O ministro José Múcio, da Secretaria de Relações Institucionais, informou que Lula pediu ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, e ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que façam uma "longa exposição" para a equipe sobre o andamento da crise.
Para a reunião, foram convocados todos os 37 ministros e a idéia é fazer uma exposição geral sobre as medidas adotadas pelo governo federal no enfrentamento das dificuldades que cercam a economia brasileira. A última reunião ministerial, realizada pelo presidente, foi em junho, quando o tema central das discussões foi a participação dos ministros nas campanhas municipais.
No rádio
Pela manhã, o presidente Lula se disse “convencido” de que o debate internacional sobre matrizes energéticas será vencido pelos biocombustíveis. Depois de participar da 1ª Conferência Internacional de Biocombustíveis, em São Paulo na última semana, ele afirmou que a tecnologia gera empregos, recupera terras, não polui e apresenta maior produtividade.
Em seu programa semanal de rádio, Café com o Presidente, Lula destacou um estudo realizado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) comparando automóveis movidos a álcool e a gasolina – ambos da mesma marca, com o mesmo motor e analisados sob as mesmas condições de velocidade e de tempo.
O resultado, segundo ele, é que o carro a gasolina emitiu 8,5 vezes mais CO2 (gás carbônico). Na mesma comparação mas com caminhões, o Inmetro concluiu que o veículo movido a óleo diesel emitiu 5,3 vezes mais CO2.
– Esse é um debate que não parou ainda, que vai continuar, mas é um debate por meio do qual queremos convencer as pessoas – disse Lula.
O presidente lembrou que o Brasil já construiu uma sede da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) em Acra, capital de Gana, e que o objetivo é realizar um estudo em todo o território africano de savanas. De acordo com ele, há planos para que o mesmo seja feito em países da América Central.
– Sobretudo para os Estados Unidos, que são grande consumidor de etanol, seria muito melhor que comprassem o etanol dos países da América Central e do Caribe, porque ajudaria a desenvolver esses países, geraria emprego, geraria renda e ajudaria as pessoas a viver um pouco melhor – afirmou.
Unanimidade
Segundo Lula, há uma “quase unanimidade” de que o mundo precisa apostar em uma nova matriz energética.
– Sabemos que o mundo precisa produzir mais biocombustível, que é preciso diminuir a emissão de gases de efeito estufa e que, para isso, não podemos usar a mesma quantidade de petróleo que estamos utilizando – disse.
Lula lembrou ainda que, em dezembro deste ano, o país comemora a produção de 7 milhões de automóveis flexfuel (veículos capazes de funcionar tanto com álcool quanto com gasolina), tecnologia, segundo ele, “aprovada e comprovada” de que os mesmos motores, mesmo utilizando álcool, têm bom rendimento.
– Além disso, já estamos trabalhando a produção de etanol de segunda geração, o que é uma coisa mais importante, porque vamos poder produzir etanol de cavaco de madeira e de bagaço de cana. Temos que fazer um debate internacional. Não é uma coisa fácil as pessoas mudarem, mas acho que o Brasil, com esse seminário, saiu na frente – disse.
Sobre uma possível relação entre a alta nos preços dos alimentos e a produção de biocombustíveis, Lula afirmou que, muitas vezes, as pessoas tinham como objetivo criticar o etanol produzido de milho nos Estados Unidos e que então “generalizavam” tudo, criando uma “grande confusão”.
– Acho que as pessoas se convenceram de que o Brasil e o mundo têm terra, água e sol para produzir biocombustível e para produzir alimento. Na verdade, o que não se disse na época é que o aumento dos alimentos acontecia porque havia uma especulação no mercado futuro de alimentos e a gente estava pagando o preço da especulação e não o preço real – concluiu.