Presidente da República e agora candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva resolveu pagar para ver se o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio Mello, irá mesmo cumprir as ameaças de multá-lo por abuso do poder econômico, caso mantenha os reajustes salariais concedidos a cerca de 160 mil servidores públicos federais a partir de abril deste ano. Lula consultou a Advocacia da União e, em antecipação à consulta formal que deverá remeter ao Supremo Tribunal Federal, esta semana, disse que conversou com a presidente do STF, ministra Helen Gracie, e recebeu dela um parecer positivo quanto à manutenção dos aumentos salariais.
O TSE vetou, na última quarta-feira, os aumentos salariais concedidos após a marca de seis meses antes das eleições. Esta decisão pode invalidar as MPs baixadas recentemente por Lula, que concedem aumentos a funcionários do Banco Central, professores de ensino superior e de primeiro e de segundo graus, fiscais federais agropecuários e funcionários do Departamento Nacional de Auditoria do Sistema Único de Saúde, entre outros. As MPs significam um custo de R$ 1,3 bilhão para os cofres do governo.
Fora do ar
Para não ampliar ainda mais o fosso junto ao TSE, o programa semanal de rádio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi suspenso a partir desta semana, depois do lançamento da candidatura de Lula à reeleição na convenção nacional do PT no sábado. Segundo a nova legislação eleitoral, os programas de rádio e TV apresentados ou comentados por candidatos devem sair do ar assim que são realizadas as convenções que oficializam suas candidaturas.
Iniciado em dezembro de 2003, em edições quinzenais, o Café com o presidente vinha sendo veiculado nas manhãs de todas as segunda-feira.