Candidato à reeleição à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT/PCdoB/PRB) afirmou, na noite desta terça-feira, que as pessoas envolvidas na sua campanha deixaram de tomar certas atitudes necessárias ao bom desempenho nas urnas, por achar que ganhariam a eleição já no primeiro turno. Ele lembrou que optou por não ir a nenhum debate por achar que a eleição estava assegurada.
- Agora, descemos do salto alto. Se tivesse ganhado no primeiro turno, acharia que tinha ganhado sozinho, pois não houve manifestação, não houve debate. Seria uma vitória insossa. Por isto acredito que o segundo turno seja uma obra divina, pois está permitindo que a gente junte as pessoas, como, por exemplo, o Sérgio Cabral (candidato do PMDB ao governo do Rio e que apóia e recebe o apoio do presidente neste segundo turno) - disse Lula.
O presidente também disse que, se for reeleito para um segundo mandato, não há hipótese de o pais não melhorar, com mais crescimento e melhor distribuição de renda:
- Era preciso reconstruir o Brasil. Graças a Deus hoje eu posso dizer para vocês: não existe hipótese de as coisas ( não) serem bem melhores daqui para frente. Não existe hipótese de os juros não continuarem caindo, de a economia (não) continuar crescendo e de não fazermos a distribuição de renda neste país.
A avaliação de Lula foi feita para uma platéia de artistas, intelectuais e atletas presentes a uma casa de shows na zona sul do Rio O ato contou com as presenças de vários ministros, do presidente da câmara dos Deputados, Aldo Rebelo, além de atores e cantores como Osmar Prado, Dercy Gonçalves, Marcos Winter, Beth Carvalho, Zeca Pagodinho e Alcione.
O cantor e compositor Chico Buarque não foi, mas encaminhou mensagem declarando seu voto no presidente, "porque ele sempre foi sensível às necessidades do povo brasileiro". Também estiveram presentes, o cineasta Luiz Carlos Barreto, governadores eleitos pelo PT no primeiro turno das eleições e a quinta colocada no primeiro turno das eleições presidenciais, Ana Maria Rangel (PRP).
Lula também fez críticas aos adversários peessedebistas, incluindo seu antecessor, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
- Tucano não gosta de comparação. Não sei se é porque é uma ave bonita, mas predadora, que come filhote, ninho e ovinho dos outros. Eu não entendo porque o pessoal do PSDB não leva mais o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso nos eventos deles. Agora ele tem que falar mal de mim em Portugal, na Argentina ou na Alemanha - disse.
Lula disse que foi surpreendido com a quantidade de escândalos que atingiram o PT durante seu mandato:
- Nunca tinha imaginado que tivesse tantos problemas dentro do partido - assombrou-se.
Ele ressalvou que houve um trabalho da oposição no boicote às realizações de seu governo.
- É uma coisa quase que impiedosa, mas nós sobrevivemos. O estranho era que eles imaginavam que nos não iríamos sobreviver. Que as coisas seriam fáceis.
O candidato comparou a atitude da oposição em seu governo às resistências que enfrentaram outros presidentes da República, como Getúlio Vargas (1930-1945 e 1951-1954), que se suicidou em 1954, Juscelino Kubistschek (1956-1961), e João Goulart (1961-1964), deposto pelo golpe de 1964. "Eles levaram Getulio à morte. Detonaram Juscelino durante cinco anos, tiraram Jango Goulart. Então falaram: este tal de Lula nos também vamos tirar. Só que no meu caso eles esqueceram de um pequeno componente chamado povo brasileiro".