Preocupado com os possíveis efeitos da crise financeira internacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recomendou à equipe econômica que faça todo o esforço possível "para não faltar crédito no país", disse um ministro à agência inglesa de notícias Reuters, após reunião da coordenação política na quarta-feira. Por recomendação do presidente, os ministério da Fazenda e do Planejamento já analisam uma série de alternativas para reforçar linhas de crédito destinadas a financiar as exportações brasileiras.
Depois da reunião de coordenação e após encontro com medalhistas olímpicos e paraolímpicos, Lula descartou que o estímulo ao crédito represente um pacote formal de medidas contra crise. Segundo o ministro, que falou à Reuters sob condição de anonimato, o ministro Guido Mantega disse na reunião que a crise "existe, é preocupante, mas que ainda não é problema para o Brasil". De acordo com seu relato, Mantega afirmou que os investimentos externos diretos ficaram em torno de US$ 4 bilhões em setembro e que as reservas brasileiras continuam "intactas".
O ministro afirmou que a crise não pode ser tratada "com desdém", e que os riscos estão sendo avaliados permanentemente.
– Tem a doença, não estamos gripados, mas não significa que não vamos pegar a gripe – avaliou o ministro sobre a ameaça de contágio da crise.
Ainda de acordo com o ministro, o governo não vai tomar nenhuma medida agora sobre revisão nos parâmetros econômicos que fundamentam o Orçamento de 2009, já fechado. Como o orçamento só será votado em meados de dezembro, o governo pretende esperar um pouco mais para ver como a crise se reflete no país, disse o ministro.
Sem pacote
Lula também afirmou que não pretende editar nenhum pacote econômico no Brasi por conta da crise financeira iniciada nos Estados Unidos.
– Não tem pacote. (A situação) está mais tranqüila – afirmou.
Pela manhã, Lula esteve reunido com o vice-presidente, José Alencar, e os ministros da Justiça, Tarso Genro, da Fazenda, Guido Mantega, do Planejamento, Paulo Bernardo, da Casa Civil, Dilma Rousseff, das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, e com os secretários da Presidência, Luiz Dulci, e da Comunicação Social, Franklin Martins. Em seu relato, Mantega tranqüilizou o governo sobre os possíveis contágios da crise econômica norte-americana ao Brasil. Em uma longa exposição, Mantega afirmou que os investidores estrangeiros mantêm as aplicações no mercado nacional e que o Brasil tem uma posição segura.
Múcio também falou sobre a crise na reunião e disse ser fundamental a manutenção do crédito para as empresas, principalmente no setor de exportação, como forma de impedir maiores efeitos da crise norte-americana sobre as reservas do país. Interlocutores do governo temem que a crise se prolongue até o final de 2009, às vésperas da sucessão do presidente Lula.
Embora tenha dito que está preocupado com o panorama externo, Lula descartou a formação de um "gabinete de crise", embora deva manter reuniões sistemáticas com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, Mantega e o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge.
– Até o momento, não tivemos problemas com a crise financeira dos Estados Unidos. O que pode acontecer com alguns países, não só com o Brasil, é que a crise gere problemas de crédito. Mas tenho me reunido sistematicamente com ministros e com o presidente do Banco Central. Em se tratando de política econômica, o trabalho deve ser feito com tranqüilidade e transparência – afirmou o presidente, na véspera, durante encontro de cúpula com os colegas da Bolívia, Equador e Venezuela.